Prefeito João Rodrigues destaca que imigração é vital para a economia e a competitividade local. No munícipio vivem e trabalham cerca de 20 mil venezuelanos / Imagem: ChatGPT
A preocupação do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, com a possível perda da mão de obra venezuelana é mais do que pertinente. A economia local, especialmente a indústria e os serviços, já depende fortemente desses trabalhadores, que ocuparam espaços deixados por um mercado cada vez mais carente de gente disposta a trabalhar. A saída desse contingente, de aproximadamente 20 mil pessoas, não seria apenas uma questão humanitária, mas um problema econômico concreto, com impacto direto na produção e no crescimento da cidade. O debate revela uma contradição nacional: enquanto se endurecem discursos sobre imigração, ignora-se que muitos setores só se mantêm ativos graças aos imigrantes. Ao levantar o tema, o prefeito toca num ponto central. Sem planejamento e políticas claras de integração, o Brasil corre o risco de perder não apenas pessoas, mas competitividade. Chapecó sente na prática que imigração, quando bem conduzida, é parte da solução, não do problema.
Bolsa Família
Em outra avaliação, que também precisa ser colocada no debate, há o entendimento de que parte dos brasileiros aptos ao trabalho acaba se afastando das frentes produtivas, amparada por programas de transferência de renda como o Bolsa Família. Em regiões onde sobram vagas e falta mão de obra, essa distorção é frequentemente apontada por empresários e gestores públicos. O problema não está no programa em si, que cumpre papel social relevante, mas na ausência de mecanismos mais eficazes de estímulo à qualificação e à reinserção no mercado formal. Quando o auxílio se transforma em desincentivo, a economia local paga a conta, e a dependência de mão de obra estrangeira se torna ainda mais evidente.
Desequilíbrio ideológico
Vale a reflexão. Enquanto venezuelanos celebram a queda de Nicolás Maduro como alívio após anos de miséria, repressão e êxodo forçado, setores partidários brasileiros preferem protestar contra a chamada “intromissão” dos Estados Unidos na Venezuela. O contraste é gritante. Esse tipo de manifestação revela um desequilíbrio ideológico que ignora o povo venezuelano e relativiza o sofrimento real de milhões de pessoas, em nome da defesa abstrata de um regime que se sustentou pela força. Não se trata de geopoliticamente gostar ou não dos EUA, mas de reconhecer fatos: quem fugiu do regime sabe exatamente o que estava em jogo. Quando a ideologia fala mais alto que a realidade, perde o povo, lá e cá. Defender regimes autoritários nunca foi sinônimo de soberania ou justiça social; é apenas a escolha de proteger o poder, não as pessoas.




