Estado tem 160 municípios com aumento atípico, mas ainda não apresenta surto da doença, segundo a SES
Santa Catarina já registra mais de 21 mil casos de Doença Diarreica Aguda (DDA) nas três primeiras semanas de 2026. Os dados foram atualizados nesta quarta-feira (21) pelo Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica das DDAs (SIVEP-DDA) do Ministério da Saúde. O volume representa mais da metade dos casos somados da região Sul no período.
Segundo o painel do MS, 288 dos 295 municípios catarinenses registraram algum caso este ano, sendo que em 160 deles, o número de notificações ultrapassou o limite esperado pela vigilância epidemiológica para o período, caracterizando um aumento atípico da doença. Das quatro cidades com mais de 1 mil registros de DDAs, três delas ficam no litoral: Itajaí, Florianópolis e Balneário Camboriú (veja o ranking abaixo).
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Doenças diarreicas agudas podem ser identificadas quando há no mínimo três episódios de diarreia em 24 horas, ou seja, diminuição da consistência das fezes e aumento do número de evacuações. O quadro pode ainda ser acompanhado de náusea, vômito, febre e dor abdominal. A diarreia pode ter causa infeciosa ou não, com origens que vão desde bactérias, vírus e parasitas, até intoxicação por medicamentos e ingestão de grandes quantidades de adoçantes, gorduras ou bebidas alcoólicas.
As temporadas de verão são sempre uma preocupação a mais para quem aproveita uma estadia na praia. Isso porque no caso das DDAs infeciosas, a contaminação é causada por consumo de água e alimentos impróprios e contato físico com objetos e outras pessoas contaminadas. O aumento populacional nos balneários também sobrecarrega os sistemas de esgotamento sanitário, favorecendo o extravasamento de esgoto e a contaminação ambiental.
Além disso, as altas temperaturas aceleram a proliferação de bactérias, vírus e protozoários em água, alimentos e superfícies, enquanto alimentos manipulados de forma precária por ambulantes, o armazenamento inadequado e a menor refrigeração aumentam o risco de ingestão de microrganismos. Além disso, o contato direto e a ingestão acidental da água do mar ou de rios contaminados, e hábitos de higiene menos rigorosos em ambientes de lazer completam um cenário que facilita a transmissão de microrganismos, explicando a maior incidência de DDAs em municípios litorâneos durante a temporada de verão.
A situação é preocupante em SC?
Apesar da alta no número de casos de diarreia em Santa Catarina nesta temporada de verão, o número de notificações até a terceira semana de 2026 ainda é menor do que a metade do registrado no mesmo período em 2025. Ao TVBV Online, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) explica que o volume de casos está dentro do comportamento sazonal esperado para o período e não caracteriza a ocorrência de surto da doença.
“Em SC, a vigilância das doenças diarreicas é realizada de forma contínua por meio de sistemas oficiais, como o SIVEP-DDA, que permitem o acompanhamento das tendências ao longo do tempo”, explica a SES. A pasta acrescente ainda que ampliou o monitoramento e o processo de notificação pelos municípios. “Localidades que anteriormente apresentavam subnotificação passaram a registrar os casos de forma adequada, o que contribui para um melhor panorama”.
Cidades com maior número de casos
| Posição | Município | Total de casos | Casos acima do esperado |
|---|---|---|---|
| 1 | Itajaí | 2.436 | 1.602 |
| 2 | Florianópolis | 1.420 | 0 |
| 3 | Chapecó | 1.256 | 601 |
| 4 | Balneário Camboriú | 1.099 | 544 |
| 5 | Brusque | 946 | 359 |
| 6 | Bombinhas | 943 | 477 |
| 7 | São José | 657 | 207 |
| 8 | Navegantes | 652 | 226 |
| 9 | Blumenau | 553 | 166 |
| 10 | Itapema | 504 | 0 |
| 11 | Governador Celso Ramos | 378 | 209 |
| 12 | Balneário Piçarras | 374 | 78 |
| 13 | Jaraguá do Sul | 373 | 269 |
| 14 | Porto Belo | 322 | 255 |
| 15 | Itapoá | 314 | 180 |
| 16 | Tijucas | 278 | 0 |
| 17 | Curitibanos | 247 | 145 |
| 18 | Joinville | 247 | 0 |
| 19 | Rio do Sul | 229 | 115 |
| 20 | Caçador | 198 | 83 |
Como se proteger e tratar a diarreia
Além de saneamento básico adequado, medidas simples no dia a dia ajudam a reduzir a chance de adquirir uma DDA infeciosa. O Ministério da Saúde apresenta uma série de comportamentos que contribuem para a prevenção:
- Lave sempre as mãos com sabão e água limpa principalmente antes de preparar ou ingerir alimentos, após ir ao banheiro, após utilizar transporte público ou tocar superfícies que possam estar sujas, após tocar em animais, sempre que voltar da rua, antes e depois de amamentar e trocar fraldas;
- Lave e desinfete as superfícies, os utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos;
- Proteja os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e outros animais (guarde os alimentos em recipientes fechados);
- Trate a água para consumo (após filtrar, ferver ou colocar duas gotas de solução de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água, aguardar por 30 minutos antes de usar);
- Guarde a água tratada em vasilhas limpas e com tampa, sendo a “boca” estreita para evitar a recontaminação;
- Não utilize água de riachos, rios, cacimbas ou poços sem tratamento para beber, e se contaminados nem mesmo para banhar;
- Evite o consumo de alimentos crus ou malcozidos (principalmente carnes, pescados, entre eles os mariscos) e alimentos cujas condições higiênicas, de preparo e acondicionamento, sejam precárias;
- Ensaque e mantenha a tampa do lixo sempre fechada; quando não houver coleta de lixo, este deve ser enterrado em local apropriado;
- Use sempre o vaso sanitário, mas se isso não for possível, enterre as fezes sempre longe dos cursos de água;
- Evite o desmame precoce. Manter o aleitamento materno aumenta a resistência das crianças contra as diarreias.
Em geral, as diarreias têm duração de até 14 dias. Em alguns casos, há presença de muco e sangue, quadro conhecido como disenteria. Dependendo do causador da doença e de características individuais dos pacientes, as DDAs podem evoluir para quadros de desidratação que variam de leve a grave.
O tratamento da diarreia é feito principalmente por meio da reidratação com ingestão de líquidos e solução de sais de reidratação oral (SRO) ou fluidos na veia, indicação que varia de acordo com estado de desidratação e da gravidade do caso. Por isso o tratamento adequado deve ser estabelecido apenas após a avaliação clínica por um médico.
VÍDEO: Cozinha clandestina é flagrada com 54 carrinhos de ambulantes em Florianópolis
Local insalubre abastecia comércio irregular de alimentos em praia no Norte da Ilha
Uma operação da Guarda Municipal de Florianópolis (GMF) fechou uma cozinha clandestina em condições insalubres que abastecia carrinhos de vendedores que atuavam na Praia de Canasvieiras, no Norte da Ilha. A ação nesta quinta-feira (21) também resultou na apreensão de 54 carrinhos de ambulantes em situação irregular com a Prefeitura.





