Existem recantos da Ilha de Santa Catarina que permanecem pouco conhecidos, onde o ritmo dos dias segue tranquilo, quase alheio à pressa do mundo. Um deles é a Praia da Caiacanga, no Sul da Ilha. Essa localidade carrega no nome e na paisagem marcas profundas do tempo — um lugar onde a história não está apenas nos livros, mas também no vento, na areia e na memória de quem vive ali.
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A origem do nome remonta às línguas indígenas do tronco tupi-guarani, que nomeavam os lugares a partir daquilo que viam, sentiam e reconheciam na natureza. Uma das interpretações mais recorrentes associa Caiacanga à ideia de vegetação baixa e rala, típica das restingas litorâneas, comuns ao longo do litoral catarinense.
Por outro lado, existe uma versão preservada pela tradição oral e por registros etimológicos regionais. Caiacanga, ou antigas grafias como Caicanga ou Caíacanga, poderia resultar da junção dos termos indígenas ka’i, que significa macaco, e akanga, que representa cabeça. Assim, o nome teria o significado de “cabeça de macaco”. Essa interpretação, embora não seja consenso entre linguistas, faria referência a alguma formação rochosa ou elevação do relevo da região que, observada de determinado ponto, lembraria o contorno da cabeça de um macaco.
Muito antes da chegada dos colonizadores europeus, a área já era frequentada por povos indígenas que utilizavam o litoral para pesca, deslocamento e observação dos ciclos naturais. Com a colonização portuguesa e, posteriormente, a presença açoriana, o Sul da Ilha passou a se organizar em pequenas comunidades voltadas à pesca artesanal e à agricultura de subsistência. A Caiacanga cresceu de forma discreta, preservando o isolamento que ajudou a manter vivas as histórias, os nomes e os silêncios do lugar. Até hoje, o som tranquilo do mar, o verde que resiste e a presença dos morros ao redor parecem repetir, em outra língua, o significado antigo do nome. Assim, a Caiacanga não é apenas uma praia, mas um território onde a palavra indígena, a paisagem e a memória caminham juntas.
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