No Mercado Público de Florianópolis, onde a história se perpetua, existe um balcão que resiste como quem guarda um segredo doce. Ali, o caldo de cana não é só bebida, é memória espremida, é herança líquida, é tradição servida em copo gelado. A cana entra verde, rústica, ainda com cheiro de sol e terra, e sai transformada em ouro líquido. O som da moenda anuncia o ritual que se repete todos os dias através de uma família que convida a cidade para um gole de pausa. Cada copo carrega o frescor que desce manso pela garganta e acorda lembranças que as vezes esquecemos que ainda existem.
O box, pequeno no tamanho, mas imenso no significado, viu o Mercado mudar de roupa, trocar de vozes, enfrentar reformas, o fogo e modernidades. Os sonhos de um homem passaram para o filho e agora caminham para o neto. Mais que um legado é um compromisso de manter viva uma tradição que começou com uma “pequena verdureira” há 57 anos. “Fui criado dentro do mercado, quando meu pai comprou o ponto minha mãe estava grávida, depois que nasci ela me trazia e eu dormia dentro de uma caixa de laranja”, recorda o comerciante Nei Alberto Elias.
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São três gerações, um mesmo gesto, o mesmo cuidado de escolher a cana, a mesma conversa atravessando o balcão, o mesmo sorriso oferecido junto com o copo. Ali, o tempo não apressa. São histórias contadas entre um atendimento e outro, desde as madrugadas abrindo o box, são mãos que aprenderam cedo que tradição não se guarda em vitrines. Elias conta que foram nove irmãos criados com o trabalho no Mercado. “Eu me sinto muito orgulhoso de fazer parte da família do Mercado e viver essa história. Logo meu filho vai assumir esse legado”, disse emocionado.
Quem passa pelo box talvez não perceba de imediato, mas ao provar o caldo de cana entende. Existem sabores que não vêm da fruta, nem da máquina. E assim, no coração da cidade, existe uma doçura que atravessa gerações, refrescando o presente e lembrando que Florianópolis também se reconhece nesses pequenos rituais que nunca deixaram de existir.
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