Carnaval catarinense combina herança histórica com muita festa, participação popular e celebração nas ruas
O carnaval brasileiro começou com festas europeias e com o entrudo português, marcado por brincadeiras de rua e muita irreverência. Com o tempo, a festa ganhou características próprias no Brasil. Em Santa Catarina, a folia também evoluiu: passou das brincadeiras caóticas nas ruas da antiga Desterro, para desfiles organizados, blocos populares e escolas de samba, criando uma tradição que une história, cultura e diversão.
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Em sua origem portuguesa, as festas celebravam a passagem das estações, a fertilidade e a fartura. Com a chegada do catolicismo, essas celebrações foram incorporadas ao calendário religioso como a festa que antecede a Quaresma, período de abstinência e penitência. Assim, o carnaval se tornou um momento de exageros, diversão e liberdade, quando as pessoas podiam se soltar antes do período religioso.
Em Portugal, esta celebração se chamava “entrudo”, uma festa de rua conhecida por sua total irreverência. Na ocasião, as pessoas jogavam água, farinha, ovos, barro e outros materiais umas nas outras. A ideia era se divertir sem regras, e muitas vezes isso gerava confusão, brigas e desordem. Não havia distinção social: ricos e pobres, homens e mulheres, todos participavam.
Origem do Carnaval em Santa Catarina
Quando o entrudo chegou ao Brasil, com a chegada dos portugueses, manteve sua característica caótica, com foliões jogando água, farinha e outros materiais uns nos outros. Em Santa Catarina não foi diferente, na Capital o carnaval também começou dessa forma, com pessoas de todas as classes sociais festejando e brincando nas ruas.
Aos poucos, no século XIX, surgiram medidas para controlar os excessos: começaram a ser usados balões de água perfumada, lança-perfumes e fantasias, tornando a festa mais organizada, com bailes e desfiles estruturados. Essa “civilização” do carnaval foi o que deu início às escolas de samba e blocos, transformando a folia em uma festa popular e culturalmente rica.
Com as escolas de samba, surgiram os primeiros desfiles com fantasias e as sociedades carnavalescas, que passaram a organizar bailes e eventos para controlar um pouco a desordem. Na década de 1930, a festa começou a ganhar ritmo próprio em Florianópolis, com o surgimento dos primeiros blocos de rua, cordões e cortejos. Entre as décadas de 1930 e 1960, a participação popular no carnaval de Florianópolis se consolidou, com negros e comunidades periféricas assumindo um papel central na festa.
Das marchinhas ao samba
As músicas foi uma parte essencial da evolução do carnaval brasileiro. No início, as festas eram acompanhadas por marchinhas, canções com letras satíricas que criticavam políticos, acontecimentos do dia a dia e comportamentos sociais. Marchinhas como “Ó abre alas” e “Mamãe eu quero” animavam os bailes e os desfiles de cordões e blocos, sendo tocadas por bandas de metais e fanfarras.
Com o tempo, especialmente a partir do século XX, o carnaval começou a incorporar ritmos afro-brasileiros, principalmente o samba, que se espalhou pelo país. O samba permitiu uma musicalidade mais complexa, com batidas percussivas, improvisações e danças mais elaboradas. Em Florianópolis, a tradição das marchinhas ainda é mantida por blocos históricos como o Berbigão do Boca.
Blocos de Carnaval

O Berbigão do Boca, um dos blocos mais tradicionais, foi fundado em 1992, hoje em dia é considerado o bloco que abre oficialmente o carnaval na capital. O nome combina o fruto do mar típico da região, o berbigão, com o apelido de um dos fundadores, o Boca. O bloco se destaca pelos festejos, bonecos gigantes e cortejos de rua, mobilizando a população e turistas, e celebrando a cultura local. O Enterro da Tristeza, também tradicional na capital, simboliza a despedida das tristezas antes da chegada da alegria e da festa.
Nos dias de hoje, os blocos continuam reunindo grande público e mantêm o carnaval de Florianópolis entre os principais eventos culturais da cidade. Mesmo mantendo tradições, essas manifestações acompanham mudanças da sociedade, como a valorização da diversidade e o uso dos espaços públicos, mostrando que a festa segue em adaptação ao longo dos anos.
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