Desfile financiado com recursos públicos no Sambódromo da Marquês de Sapucaí reacende debate sobre impessoalidade e provoca reação imediata da oposição em ano decisivo nas urnas / Foto: Poder 360
O Carnaval sempre foi espaço de manifestação política, mas o contexto atual impõe uma discussão mais profunda. Em ano eleitoral, um desfile financiado com recursos da União e dos Estados, com exaltação direta de uma liderança política no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, levanta questionamentos legítimos sobre os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. O ponto central não é a expressão cultural em si, mas o uso indireto de dinheiro público em um espetáculo que, na prática, pode funcionar como promoção política em larga escala, com alcance nacional e impacto eleitoral evidente. A controvérsia ganha ainda mais peso diante do histórico recente, quando adversários políticos enfrentaram restrições rigorosas em nome do equilíbrio do pleito. O que está em jogo não é o Carnaval, mas a coerência institucional.
Oposição reage
A reação da oposição foi imediata. Parlamentares e lideranças classificaram o episódio como “grave distorção do uso de recursos públicos”, argumentando que a estrutura financiada pelo contribuinte não pode servir de vitrine para enaltecer uma figura política específica em período pré-eleitoral. Também defendem que o caso seja analisado pela Justiça Eleitoral, sob o argumento de possível promoção pessoal indevida com potencial de influenciar o eleitorado. Para esses críticos, permitir tal prática abriria um precedente perigoso, no qual eventos culturais financiados pelo Estado poderiam ser instrumentalizados como ferramentas indiretas de campanha. Nos bastidores, a cobrança central é por isonomia. A oposição sustenta que, se há rigor na fiscalização de manifestações consideradas propaganda irregular em outros contextos, o mesmo critério deve ser aplicado quando a promoção ocorre em eventos de grande visibilidade e com financiamento público. O debate, portanto, ultrapassa o desfile e alcança o próprio compromisso das instituições com a neutralidade e a igualdade de condições no processo eleitoral.




