17 de março de 2026
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Segurança

ECA Digital entra em vigor e reforça proteção de crianças na internet

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Lei obriga plataformas a adotar mecanismos de supervisão, remoção rápida de conteúdos impróprios e proteção de dados

A Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, passa a valer nesta terça-feira (17), estabelecendo regras rigorosas para proteger crianças e adolescentes na internet. Redes sociais, jogos eletrônicos e lojas virtuais terão de adotar ferramentas de supervisão parental, remover conteúdos nocivos rapidamente e garantir segurança para usuários menores de 18 anos.

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Lei histórica motivada pelo debate sobre adultização

A aprovação do ECA Digital foi impulsionada pelo debate público sobre a “adultização precoce” do público infanto-juvenil, consolidado por denúncias de conteúdos sexualizados em redes sociais. Segundo Maria Mello, do Instituto Alana, grupo que luta por causas a favor das crianças, o ECA Digital consagra o princípio da proteção integral no ambiente digital, obrigando serviços e produtos digitais a serem configurados para proteger usuários menores de 18 anos.

Principais regras para plataformas digitais

  • Verificação de idade confiável: proibição da simples autodeclaração;
    • Remoção rápida de conteúdos impróprios: em até 24 horas;
    • Proteção de dados e privacidade de crianças e adolescentes;
    • Publicidade adequada e restrição de loot boxes: proteção contra práticas abusivas;
    • Ferramentas de supervisão parental e relatórios semestrais à ANPD;
    • Canais de apoio às vítimas e programas educativos;
    • Sanções rigorosas: multas, suspensão de serviços ou perda de autorização.

A advogada Bianca Mollicone, especialista em direito digital, destaca que a legislação é importante e tem um papel relevante, mas não substitui o das famílias. Ela obriga plataformas a cumprir suas responsabilidades, já os pais e educadores precisam permanecer atentos, embora não possam ser os únicos a garantir segurança online.

Cenário digital e vulnerabilidades

Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos acessam a internet, sendo 85% ativos em ao menos uma rede social. Entre 9 e 10 anos, 64% têm perfil; entre 11 e 12 anos, 79%; entre 13 e 14 anos, 91%; e entre 15 e 17 anos, 99%.

De acordo com Águeda Barreto, especialista em proteção digital de crianças e adolescentes, 54% dos adolescentes já sofreram algum tipo de violência sexual online, e que jogos com chats virtuais podem facilitar esse contato, tornando indispensável a remoção rápida de conteúdos impróprios e ferramentas de supervisão digital.

Impactos sobre negócios digitais

A lei proíbe monetização de conteúdos sexualizados envolvendo menores, publicidade predatória e loot boxes, muito comuns em jogos como Roblox. Plataformas e sistemas operacionais deverão fornecer sinais de idade via API, garantindo que aplicativos respeitem a faixa etária e a privacidade do usuário. Agora, conforme alerta Maria Mello, empresas de tecnologia devem assumir responsabilidades concretas pelo bem-estar digital de crianças e adolescentes, e que produtos e serviços precisam ser configurados de fábrica para protegê-los.

Sanções para empresas

Empresas que descumprirem a legislação podem ser penalizadas com:

  • Advertência formal;
    • Multas de até 10% do faturamento;
    • Suspensão temporária de serviços;
    • Perda de autorização para atuar no país;
    • Responsabilidade solidária de filiais ou escritórios de empresas estrangeiras.

*Estagiário sob supervisão de Bernardo Ebert

           

             

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