Florianópolis amanheceu nesta sexta-feira (27) com um novo título que não pesa, ao contrário, alivia. Entre marés, dunas e morros, a cidade que aprendeu a dialogar com a natureza agora também é reconhecida por aquilo que decide não deixar para trás. A Capital catarinense passa a integrar o seleto grupo das 20 cidades Lixo Zero do mundo, iniciativa vinculada à ONU-Habitat, tornando-se a única representante das Américas, ao lado apenas da cidade americana de San Francisco.
Mas esse reconhecimento não nasce de um gesto isolado. É resultado de uma travessia longa, construída com persistência, políticas públicas e mudança de cultura. Desde 1986, quando o Programa Beija-Flor começou a semear a coleta seletiva em bairros e escolas, Florianópolis vem desenhando um caminho onde o resíduo deixa de ser fim e passa a ser recomeço. Décadas depois, essa visão se consolida em metas ambiciosas: reciclar 60% dos resíduos secos e tratar 90% dos orgânicos até 2030.
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A cidade que separa o lixo também aproxima pessoas. Hoje, cerca de 200 famílias vivem da triagem de materiais recicláveis, transformando descarte em renda e dignidade. Nos bairros, a coleta de orgânicos cresce, ganhando forma em adubo no Centro de Valorização de Resíduos do Itacorubi e florescendo em mais de 150 hortas comunitárias do programa Cultiva Floripa. É o ciclo da vida reescrito, da cozinha à terra, da terra ao alimento.
Apenas em 2025 mais de 6 mil toneladas de resíduos alimentares foram compostados; mais de 8 mil toneladas de resíduos verdes reaproveitadas e centenas de Pontos de Entrega Voluntária foram espalhados pela cidade. Podemos afirmar que cada vidro reciclado, cada casca reaproveitada, cada escolha consciente reduz emissões, preserva recursos e redesenha o futuro.
E talvez o maior legado esteja onde tudo começa: na educação. Escolas que compostam, crianças que aprendem, famílias que mudam hábitos. Projetos como o Museu do Lixo e o Minhoca na Cabeça mostram, na prática, que o valor das coisas não termina no consumo — ele se reinventa. Em Florianópolis, sustentabilidade não é discurso: é prática cotidiana, ensinada, compartilhada e multiplicada. Ser uma cidade Lixo Zero não significa não gerar resíduos, mas assumir responsabilidade sobre eles.
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