Operações ‘Pinóquio’ e ‘Terra Prometida’ têm nova prisão preventiva contra o ex-diretor da unidade após supostos desvio de madeira ilegal e pagamento de propina
A administração do Presídio Masculino de Lages, na Serra catarinense, está no centro de duas operações deflagradas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) na manhã desta quinta-feira (23). A ação é resultado de novas irregularidades identificadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) no âmbito da Operação Carne Fraca, deflagrada em fevereiro.
As Operação Pinóquio e Terra Prometida buscam aprofundar investigações sobre supostos desvio e destinação irregular de madeira nativa apreendida de atividades ilícitas, violação de sigilo funcional e corrupção ativa e passiva. O ex-diretor do complexo prisional, Rodrigo Barroso, de 39 anos, está no centro das duas investigações. Ele já havia sido denunciado pelo MPSC pelos crimes de associação criminosa e corrupção ativa e passiva.
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Operação Pinóquio
A Operação Pinóquio resultou, novamente, em um mandado de prisão preventiva contra o policial penal Rodrigo Barroso, detido anteriormente por suspeita de crimes de corrupção, violação do sigilo funcional e advocacia administrativa. O GAECO cumpriu também sete mandados de busca e apreensão em endereços nos municípios de Lages, Agrolândia e Campo Belo do Sul. Durante a ação, foram apreendidos R$ 21,4 mil e 2,5 mil dólares. O cumprimento dos mandados contou com o apoio da Polícia Militar Ambiental (PMA).
De acordo com o MPSC, as apurações apontam até o momento para um esquema que desviou de 205 toras de madeira de araucária – um volume de 115 m³ de árvores em risco de extinção – apreendidas de atividade ilegais pela PMA. Esse material seria formalmente destinado ao Presídio Masculino de Lages. No entanto, os pinheiros teriam sido fracionados, armazenados indevidamente e destinados para uso em interesses privados.
No curso das investigações, também foram identificados indícios de atuação coordenada entre o Rodrigo Barroso e particulares. Segundo o MPSC, ele utilizou o Sistema Integrado de Segurança Pública (SISP), plataforma de acesso restrito, para fazer uso indevido de informações sigilosas, fraudar documentos e outras condutas correlatas.
A investigação que resultou na Operação Pinóquio tramita em segredo de Justiça. A ação foi batizada em referência ao personagem clássico da literatura infantil conhecido por mentir deliberadamente, pela suspeita de utilização de versões falsas, distorção de informações e construção artificial de narrativas para encobrir práticas ilícitas, conforme informou o MPSC.
Operação Terra Prometida
A segunda operação deflagrada pelo GAECO em Lages apura um possível esquema de solicitação e pagamento de propina vinculada ao pagamento de uma indenização de R$ 2,85 milhões pela desapropriação de um imóvel rural vizinho ao Presídio Masculino de Lages, que seria utilizado para a ampliação da unidade. A ação também é resultado de informações obtidas no âmbito da Operação Carne Fraca.
O MPSC teve acesso a conversas mantidas em 2025 entre Rodrigo Barroso e um particular, após a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos autorizada pela Justiça. A investigação revelou que o ex-diretor da unidade prisional sugeriu interferir para acelerar o pagamento da indenização ao proprietário do terreno, mediante a promessa de transferência de uma parcela do montante do valor a Barroso.
A Operação Terra Prometida cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e empresariais vinculados aos investigados. O GAECO recolheu documentos, equipamentos eletrônicos, mídias e outros elementos relevantes para o esclarecimento dos fatos. A Justiça também autorizou o acesso aos eletrônicos apreendidos e o compartilhamento das provas entre as investigações em curso.
A ação também segue sob sigilo. Segundo o MPSC, o nome da operação faz referência simbólica à expectativa de vantagem econômica associada à destinação do terreno, em alusão, às suspeitas de interferências indevidas e promessas ilícitas envolvendo a desapropriação do imóvel.
Os materiais de relevância para ambas as investigações apreendidos durante as buscas serão analisados pelo GAECO e encaminhados para a perícia pela Polícia Científica para dar prosseguimento às investigações e esclarecer a autoria, eventual participação de terceiros e delimitação das condutas.
O que dizem os envolvidos
Por meio de nota oficial, a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) informa que o ex-diretor do Presídio Masculino de Lages, Rodrigo Barroso, já havia sido afastado de suas funções após a deflagração da Operação Carne Fraca. “Desde o início das investigações, a Sejuri tem atuado de forma ativa e colaborativa, prestando integral apoio aos órgãos de controle e investigação, com o fornecimento de informações, documentos e demais elementos necessários ao esclarecimento dos fatos”, esclarece a nota.
A Secretaria destaca ainda que mantém rotinas permanentes de controle interno e que eventuais indícios de irregularidades são tratados com rigor, com a adoção imediata das medidas administrativas cabíveis. “A Sejuri reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética e a integridade na gestão pública, e seguirá contribuindo com as autoridades competentes para o pleno esclarecimento das circunstâncias investigadas”, conclui o comunicado.
A reportagem do TVBV Online busca contato com a defesa do policial penal Rodrigo Barroso. O espaço segue aberto para manifestações.
Advogados e PM teriam atuado para entregar smartwatches a presos na Penitenciária de Joinville
Suspeitos foram alvo de uma operação do GAECO nesta quarta-feira (22)
Dois advogados e um policial militar estão entre os alvos de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) que apura a entrada clandestina de relógios inteligentes (smartwatches) no Complexo Penitenciário de Joinville, no Litoral Norte de Santa Catarina. Uma pessoa foi presa em flagrante no cumprimento de ordens judiciais na manhã desta quarta-feira (22).











