Florianópolis parece viver, mais uma vez, aquele instante raro em que decide olhar para o próprio horizonte, não como limite, mas como promessa. A cidade, feita de vento e sal, agora projeta no azul do mar uma ambição que não se mede apenas em números, mas em consciência: ampliar o número de praias com o selo Bandeira Azul e, com isso, transformar cuidado em identidade.
Há algo de simbólico nesse gesto. Como se cada faixa de areia fosse mais do que geografia, fosse linguagem. A praia do Moçambique, extensa e quase indomada; Daniela, com sua calma doméstica; Açores, onde o sul da ilha parece respirar mais devagar. Três paisagens distintas que agora compartilham um mesmo destino: tornar visível aquilo que já pulsa silencioso, a vocação para coexistir. No centro dessa narrativa, a Lagoa do Peri permanece como um espelho de permanência. Dez vezes reconhecida, ela não é apenas um cartão-postal premiado, mas uma espécie de memória líquida da cidade — um lembrete de que preservar é repetir, com rigor e afeto, um pacto que nunca deveria ter sido quebrado.
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Mas o selo, por si só, não é o fim. Ele é um idioma. Um conjunto de critérios que traduzem o invisível: a qualidade da água que não se vê, a segurança que não se anuncia, a educação ambiental que se infiltra nos gestos cotidianos. Por trás de cada certificação, existe um trabalho quase artesanal de escuta, do território, das marés, das pessoas.
Conquistar a Bandeira Azul para mais praias não é apenas atrair olhares, mas sustentar permanências. Porque o turismo é importante, mas quem mora nesta terra também merece esse cuidado. Quem sabe, o verdadeiro desafio seja que toda a Ilha de Santa Catarina possa ter a “Bandeira Azul” tremulando. E assim um verdadeiro resgate da natureza e da qualidade de vida em nossa cidade seja feito.
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