2 de junho de 2026
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Investigação dos EUA propõem novo tarifaço de 25% contra o Brasil

Imagem: Reprodução / Agência Brasil.

Entre os motivos estão a perseguição política, censura e o Pix

Os Estados Unidos deram mais um passo em uma disputa comercial que pode impactar setores estratégicos da economia brasileira. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou na segunda-feira (1º) que considera determinadas políticas e práticas adotadas pelo Brasil como “irracionais” e prejudiciais aos interesses comerciais norte-americanos, abrindo caminho para a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados ao mercado americano.

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A medida é resultado de uma investigação iniciada em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento frequentemente utilizado por Washington para contestar práticas comerciais de outros países consideradas desleais ou discriminatórias. Apesar do avanço da proposta, a decisão ainda não é definitiva. O governo norte-americano realizará uma audiência pública no próximo dia 6 de julho, quando representantes dos setores afetados poderão apresentar argumentos e contribuições. A decisão final está prevista para ser divulgada em 15 de julho.

Em comunicado oficial, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que manteve “reuniões construtivas” com autoridades brasileiras ao longo dos últimos meses, mas ressaltou que permanecem “diferenças substanciais” em relação às questões levantadas durante a investigação.

Produtos estratégicos ficam fora da lista

Embora a proposta preveja uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o USTR divulgou uma extensa lista de exceções. O documento, com 73 páginas, preserva da sobretaxação diversos itens considerados estratégicos para as relações comerciais entre os dois países. Entre os produtos que permaneceriam livres da tarifa adicional estão aviões, suco de laranja e café, setores que possuem forte participação nas exportações brasileiras para o mercado norte-americano e que já haviam sido excluídos de medidas semelhantes anunciadas anteriormente.

Suco de laranja está entre os produtos que ficaram fora da lista. Imagem: Magnific.

Censura e perseguição política

Um dos pontos mais sensíveis da investigação envolve o ambiente digital brasileiro. Segundo o relatório do USTR, tribunais brasileiros teriam emitido ordens judiciais sigilosas para que plataformas de redes sociais sediadas nos Estados Unidos removessem conteúdos políticos específicos e suspendessem perfis de usuários localizados em território norte-americano.

O documento também menciona o bloqueio integral de uma plataforma digital como exemplo das medidas consideradas problemáticas pelas autoridades americanas.
A questão amplia o debate internacional sobre os limites entre soberania nacional, regulação das plataformas digitais e liberdade de expressão, tema que vem gerando embates entre governos e empresas de tecnologia em diversos países.

EUA contra o PIX e corrupção

Outro aspecto destacado pelo governo norte-americano envolve os serviços de pagamento eletrônico. O USTR afirma que empresas americanas do setor estariam sendo prejudicadas por políticas públicas brasileiras que favoreceriam um “campeão nacional”, referência interpretada como uma menção ao sistema de pagamentos instantâneos Pix. Desde sua criação pelo Banco Central, o Pix transformou o sistema financeiro brasileiro, tornando-se uma das principais formas de pagamento do país e reduzindo significativamente a dependência de cartões de crédito e outros meios tradicionais de transação.

A expansão do sistema brasileiro é observada internacionalmente como um caso de sucesso em inclusão financeira e modernização dos pagamentos digitais, mas também passou a gerar questionamentos de empresas estrangeiras que atuam nesse mercado. O documento também critica o combate à corrupção no país, alegando que o Brasil não adotaria medidas suficientes para enfrentar práticas ilícitas que afetam o ambiente de negócios.
Meio ambiente voltam ao debate

A investigação também resgata uma antiga divergência comercial envolvendo o mercado de etanol. Segundo os americanos, o Brasil interrompeu em 2017 um modelo considerado equilibrado para o acesso do combustível produzido nos Estados Unidos ao mercado brasileiro. Além disso, o governo norte-americano afirma que o país não estaria aplicando de forma efetiva sua legislação ambiental para conter o desmatamento ilegal. O relatório sustenta que a prática continua ocorrendo e que as medidas de fiscalização e proteção ambiental seriam insuficientes.

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