Impactos em Santa Catarina devem começar nos meses da primavera, afirma Defesa Civil
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), agência norte-americana responsável por monitorar as condições dos oceanos e da atmosfera, confirmou nesta quinta-feira (11) a chegada do El Niño. O fenômeno pode provocar um aumento nas chuvas e temporais no Sul do Brasil e pode alcançar intensidade “muito forte” ainda neste ano.
A confirmação foi possível após as águas do Oceano Pacífico Equatorial apresentarem aquecimento superior a 0,5°C sobre a temperatura média, e a atmosfera responder de forma compatível. De acordo com a NOAA, há 63% de chance de que a temperatura das águas chegue a 2,0°C acima da média entre novembro e janeiro, provocando sérios impactos no clima em todo o mundo.
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Caso a previsão se confirme, o evento deverá se consolidar entre os mais intensos observados desde 1950. Ainda assim, a força do fenômeno depende do quanto o Pacífico Equatorial vai aquecer nos próximos meses e, principalmente, de como a atmosfera vai responder a esse aquecimento.
Meteorologistas da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (SDC/SC) consideram cedo para falar sobre os impactos concretos em Santa Catarina. No Sul do Brasil, a atmosfera ainda não apresenta sinais claros de resposta ao aquecimento do Pacífico, mas é algo que deve ocorrer ao longo dos próximos meses.
Os meteorologistas da SDC/SC confirmam que o El Niño provoca um aumento considerável das chuvas na região, condição que eleva o risco de desastres associados a eventos de precipitação intensa, como inundações, enxurradas e deslizamentos. No entanto, a magnitude dos impactos não é determinada apenas pela intensidade do El Niño no oceano. Ela depende também da combinação de condições atmosféricas específicas de cada episódio de chuva e da vulnerabilidade existente em cada região.

Como o El Niño é formado e monitorado?
O El Niño é resultado da interação entre oceano e atmosfera. O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial modifica o comportamento dos ventos e desencadeia efeitos em diferentes partes do planeta. No Brasil, os impactos mais conhecidos são a redução das chuvas em parte da Região Norte e o aumento da frequência e do volume das precipitações no Sul.
A confirmação de um episódio consolidado exige que o aquecimento persista por alguns meses consecutivos. Porém, a análise conjunta dos fatores temperaturas do mar, sinais de resposta atmosférica ao aquecimento e previsão de manutenção dessas condições nos meses seguintes permite identificar o desenvolvimento do fenômeno, tornando possível confirmar a presença das condições de El Niño antes mesmo que o episódio esteja formalmente consolidado, ampliando assim a janela de tempo para ações preventivas.
Quando os impactos são sentidos em SC?
Historicamente, de acordo com a Defesa Civil, os principais efeitos do El Niño em Santa Catarina se concentram durante a primavera (setembro, outubro e novembro), período em que a própria climatologia já favorece a ocorrência de chuvas intensas. Com isso, a condição pode potencializar ainda mais os impactos associados ao aumento das precipitações.

No último episódio de El Niño, os impactos mais severos no estado se manifestaram no segundo semestre de 2023, com as chuvas intensas que atingiram todo o estado. No Sul do Brasil, eventos extremos seguiram ocorrendo até o outono de 2024, quando o Rio Grande do Sul foi severamente afetado, mostrando que a janela de risco do fenômeno não se encerra com o pico oceânico do fenômeno e pode atingir diferentes regiões em diferentes momentos.
Neste ano, as previsões indicam que o fenômeno deve ganhar força ao longo dos próximos meses, atingindo seu pico entre a primavera e o verão .Entretanto, deve se estender até o outono de 2027, exigindo vigilância contínua ao longo de todo o período. Justamente por isso, a SDC/SC vem ampliando o monitoramento e investindo em ações de prevenção e preparação para reduzir os possíveis impactos.
Santa Catarina emitiu em 18 de maio um decreto que estabelece estado de alerta climático. O documento permite o pré-posicionamento de equipes da Defesa Civil em regiões vulneráveis, a contratação preventiva de equipamentos e itens humanitários, além de fixar critérios objetivos e prazos para a decretação de situação de emergência ou calamidade pública.
Florianópolis decreta alerta climático e se prepara para impactos do El Niño
Medida inclui comitê municipal, intensificação da manutenção de sistemas de drenagem e instalação de bases de apoio
A Prefeitura de Florianópolis assinou nesta quinta-feira (11) um decreto de estado de alerta climático no município em razão da eminente formação do El Niño, que tem previsão para provocar altos volumes de chuva no litoral catarinense. A medida contempla uma série de medidas preventivas para ampliar a resiliência da capital diante desse cenário.





