16 de junho de 2026
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‘Matança desmedida’: ex-secretária de Bem-Estar Animal é presa por eutanásias em massa

Foto: Miguel Noronha/PCRS
Suspeita é investigada por liderar esquema criminoso que sacrificou quase 500 animais enquanto arrecadava dinheiro para tratamentos

A ex-secretária de Bem Estar Animal do município de Canoas, no Rio Grande do Sul, foi presa nesta segunda-feira (15). Ela é suspeita de liderar um esquema de eutanásia em massa em cães e gatos resgatados. Paula Lopes e dois veterinários foram alvos da segunda fase da Operação Carrasco, deflagrada pela Polícia Civil gaúcha.

Segundo a investigação, a suspeita organizava campanhas de arrecadação para custear tratamentos que nunca aconteceram. Enquanto isso, os veterinários sacrificavam os animais, mesmo com possibilidade de recuperação. Segundo a PCRS, durante o período em que esteve à frente da Secretaria, quase 500 animais foram mortos.

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Além das três prisões, a operação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, em que foram apreendidos telefones celulares, computadores e outras provas dos investigados. Também foi apreendido um cão debilitado e sem as patas dianteiras, que era utilizado para pedidos de doações por pix em publicações nas redes sociais.

Desde 2020, segundo a investigação, Paula arrecadou R$ 672,6 mil de 14.545 pessoas. O Delegado Cristiano Reschke enfatizou a gravidade da exploração da confiança pública e a crueldade do esquema: “O que a Operação Carrasco desvendou foi um cenário de crueldade extrema e manipulação perversa da solidariedade pública. A investigada não apenas decidia pela morte deliberada de animais que poderiam ser salvos, mas utilizava o sofrimento dessas criaturas como isca emocional para um esquema de estelionato financeiro”, afirmou o Delegado Reschke.

Entenda o caso

A primeira fase da Operação Carrasco foi deflagrada em setembro de 2025 e teve como foco a Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas, após usuários dos serviços e servidores públicos alertarem as autoridades. Após análise de todo o material apreendido, os investigadores foram surpreendidos pelo número de eutanásias realizadas no local, descrito pela PCRS como “matança desmedida”. A recorrência de sacarificações era muito acima do esperado para o perfil dos animais recolhidos e também em relação aos anos anteriores.

Segundo a investigação, os animais resgatados eram encaminhados para eutanásia em situações em que ainda havia alternativas de tratamento. A PCRS conseguiu confirmou a relação direta da ex-secretária com os veterinários, que atuavam fora da pasta, valendo-se da condição de “protetora dos animais”.

Cadela sacrificada enquanto suspeita pedia ajuda para tratamento

Em um dos casos apurados, uma das veterinárias comunicou a possibilidade de uma cadela estar contaminada por cinomose e perguntou se seria feito o teste antes de qualquer medida. A resposta atribuída à ex-secretária foi de autorização para seguir diretamente para a eutanásia, sem a confirmação do diagnóstico. Na mesma data, a investigada teria divulgado um pedido de doações nas redes sociais para custear o tratamento do mesmo animal, enquanto, nos bastidores, autorizava a morte da cadela.

Em outra situação, Paula tratou com uma veterinária sobre um animal com suspeita de micose. Embora a profissional tenha explicado que havia possibilidade de tratamento, a ordem registrada pelos investigadores foi interpretada como indicação para fazer “o que tem que ser feito”, expressão que, no contexto indica a determinação para a realização de eutanásia.

Nas redes sociais, a investigada ostentava fotos de animais com deficiência que “adotava” e “salvava”, usava essa fachada para legitimar as arrecadações de valores. Ainda segundo a PCRS, a exoneração do cargo de Secretária não desmobilizou o esquema, que continuou a operar sob a guarda de sua “associação” no sítio.

O que dizem as partes

Por meio de nota, a Prefeitura de Canoas ressaltou que Paula Lopes não integra mais o quadro de servidores desde julho de 2025. Já a defesa da ex-secretária afirmou que ainda não teve acesso à integra da investigação.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio Grande do Sul (CRMV-RS) também se manifestou e afirmou que solicitará à PCRS uma cópia do inquérito policial para verificar a participação dos médicos-veterinários e tomar as medidas internas cabíveis em relação ao caso. “Esse é a mesma conduta adotada na primeira fase da Operação: solicitar a cópia do inquérito e instaurar procedimento de averiguação junto aos profissionais envolvidos. O procedimento em relação à primeira fase está tramitando no Conselho”, afirmou

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