Animal monitorado por pesquisadores reaparece em Passo de Torres em bom estado de saúde; episódio anterior de perturbação levou à autuação do Ibama por crime ambiental
Um elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) conhecido por pesquisadores e alvo de um episódio de perturbação no litoral catarinense em 2025 voltou a ser avistado na última segunda-feira (15) em uma praia de Passo de Torres, no Extremo Sul de Santa Catarina. O animal foi identificado pela equipe da Educamar, uma Organização de conservação do ambiente, durante monitoramento do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), apresenta bom estado de saúde e utiliza a faixa de areia apenas para descanso durante sua rota migratória.
De acordo com os técnicos que acompanharam o avistamento, o mamífero marinho foi avaliado por veterinários e apresenta bom escore corporal, sem sinais de debilitação. Trata-se de um macho subadulto, com cerca de cinco metros de comprimento.
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Elefante-Marinho já conhecido no Litoral catarinenses
O animal já é conhecido pela comunidade científica. Em 2019, durante o período de muda de pele em Kelp Point, nas Ilhas Falkland/Malvinas, ele recebeu um brinco de identificação com a numeração 5479, instalado pelo pesquisador Filippo Galimberti.
Segundo a Educamar, o mesmo indivíduo foi registrado anteriormente em agosto de 2025 na Praia da Barra Velha, em Araranguá (SC), também no Extremo Sul do estado. Naquela ocasião, o descanso do elefante-marinho foi interrompido durante a noite por pessoas que utilizaram som alto, luzes e veículos para encurralar o animal, forçando seu retorno ao mar. Dias depois, ele voltou a ser observado em Passo de Torres (SC).
O episódio de 2025 teve repercussão e resultou na autuação de um dos envolvidos pelo Ibama. Segundo o órgão ambiental, a multa de R$ 7,5 mil foi aplicada por perseguição a animal silvestre em rota migratória e por molestar intencionalmente um pinípede — grupo que inclui focas, lobos-marinhos, leões-marinhos e elefantes-marinhos — conforme previsto no Decreto nº 6.514/2008. O responsável também responde na esfera criminal.
Para a coordenadora do PMP-BP na Educamar, a bióloga Suelen Santos, o retorno do animal reforça a importância das praias catarinenses como áreas de descanso para espécies migratórias. “O retorno do elefante-marinho à nossa costa reforça a importância das praias da região como áreas de descanso e passagem para a espécie. Pedimos a colaboração de todos para que mantenham distância e evitem qualquer aproximação, garantindo a segurança do animal e permitindo que ele siga sua jornada migratória sem estresse”, afirmou nas redes sociais da organização.
Dias de descanso para o animal
Habitante de regiões frias como a Patagônia argentina e áreas próximas à Antártida, o elefante-marinho-do-sul costuma aparecer no litoral brasileiro durante o outono e o inverno. Nessas passagens, os animais podem permanecer vários dias na areia apenas descansando, sem necessidade de retorno imediato ao mar.
A orientação dos pesquisadores é manter distância, evitar barulho, não utilizar luzes ou veículos próximos, não alimentar o animal e jamais tentar devolvê-lo ao oceano.
Em caso de avistamento, a recomendação é acionar a Educamar pelo telefone 0800 641 5665.
Imagens: Educamar
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