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17 de junho de 2026
TVBV ONLINE
Policial

Pix e marcas famosas: A engrenagem por trás dos golpes digitais no Brasil

Imagem: Divulgação
Observatório Lupa revela que criminosos usam narrativas previsíveis e a credibilidade de grandes empresas para atrair vítimas

O levantamento, que analisou 115 conteúdos fraudulentos entre maio de 2024 e abril de 2026, aponta que 7 em cada 10 golpes exploram a expectativa de vantagens financeiras. Embora o ambiente digital mude rapidamente, as táticas dos golpistas são descritas como altamente repetitivas e previsíveis. O estudo identificou que temas como indenizações inexistentes, vagas de emprego falsas, benefícios sociais e brindes gratuitos são reciclados ao longo do ano, adaptando-se apenas a datas sazonais ou notícias em evidência.

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De acordo com Beatriz Farrugia, pesquisadora responsável pelo estudo, os criminosos não criam métodos novos, mas reutilizam estruturas que já funcionaram, aproveitando-se da confiança do público em instituições conhecidas.

“Isso faz com que as fraudes sejam cada vez mais previsíveis, o que acaba abrindo espaço para ações preventivas mais eficazes”, afirma Beatriz. Uma das descobertas mais alarmantes é o aumento do uso de fatos reais para construir mentiras. Em 66% dos casos analisados, os criminosos partiram de informações verdadeiras –como reportagens reais, decisões judiciais ou programas governamentais– e as adulteraram para conferir legitimidade à fraude.

Entre as marcas mais exploradas indevidamente para enganar o consumidor, destacam-se:

  • Mercado Livre e Nubank (líderes com quatro ocorrências cada);
  • Shopee, Serasa e Rede Globo

Além de empresas, a imagem de jornalistas, médicos e influenciadores é frequentemente utilizada para aumentar o poder de convencimento das mensagens. O estudo foi feito com base em dados reunidos pela Lupa de 1 de maio de 2024 a 30 de abril de 2026, totalizando 115 golpes online. Desse universo, 57 fraudes ocorreram entre 1 de maio de 2025 e 30 de abril de 2026. As outras 58, entre 1 de maio de 2024 e 30 de abril de 2025.

O papel das redes sociais

O ciclo do golpe geralmente se inicia em redes sociais abertas como Facebook, Instagram e TikTok, migrando posteriormente para canais privados. O WhatsApp consolidou-se como o principal meio de circulação, estando presente em quase 65% dos golpes verificados entre 2025 e 2026. Nestes ambientes, o Pix é apresentado como a única forma de quitar taxas fictícias necessárias para “liberar” prêmios ou benefícios.

O relatório também levanta um debate crítico sobre a responsabilidade das gigantes de tecnologia. Dados revelados em 2025 indicaram que a Meta teria arrecadado em 2024 cerca de US$ 16 bilhões (aproximadamente 10% da sua receita anual) com anúncios relacionados a golpes e produtos proibidos, o que intensificou as discussões sobre a fiscalização dessas plataformas.

Para o Observatório Lupa, o enfrentamento desse cenário exige uma ação conjunta entre o setor público, instituições financeiras e empresas de tecnologia. Como os golpes seguem padrões estáveis de narrativa e monetização, o entendimento desses mecanismos é a ferramenta mais eficaz para antecipar ameaças e proteger o cidadão.

*O Observatório Lupa faz parte da Agência Lupa, organização pioneira em fact-checking no Brasil, que atua há dez anos no combate à desinformação e na promoção da educação midiática.

PF apreende mais de 6 toneladas de mel contrabandeado na divisa com SC

Produto não possuía a documentação de importação e estava sem as certificações sanitárias necessárias

Mais de seis toneladas de mel de abelha e 2,25 de cera de abelha que entraram ilegalmente no Brasil foram apreendidas na tarde desta terça-feira (16) em Flor da Serra do Sul/PR, município próximo à fronteira com a Argentina e que faz divisa com Santa Catarina. A carga estava em um caminhão, que também foi apreendido. O condutor foi preso em flagrante.