Ação em 5 estados resultou na apreensão de 1,27 tonelada de drogas, armas, munições e uma granada
Um esquema criminoso que utilizou uma empresa de fachada para lavar aproximadamente R$ 1,1 bilhão foi alvo de uma megaoperação da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) em cinco estados na manhã desta terça-feira (14). Durante a ação, cerca de 1,27 tonelada de drogas foram apreendidas, além de armas, munições e uma granada.
A Operação Tela Oculta foi deflagrada para cumprir 32 mandados de prisão preventiva e 80 de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Dos alvos, 16 foram presos, enquanto o restante ainda é alvo de diligências.
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Os suspeitos são investigados pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Além dos mandados, a Justiça expediu também ordens de quebra de sigilo bancário de 22 pessoas e oito empresas suspeitas de envolvimento no esquema.
Durante o cumprimento dos mandados, uma equipe da PCSC descobriu uma residência que funcionava como depósito para drogas e armas no bairro Estreito, em Florianópolis. No local foram encontrados:
- 1,2 tonelada de maconha;
- 17,6 quilos de crack;
- 15,1 quilos de haxixe;
- comprimidos de ecstasy;
- substâncias utilizadas para a mistura de drogas;
- três pistolas;
- uma carabina;
- uma granada de mão;
- mais de 200 munições;
- dois kits de conversão para armas.
Em outro alvo, foram apreendidos aproximadamente 32,6 quilos de substância com características semelhantes a cocaína.
Escritório do crime e empresa de colchões
De acordo com a PCSC, a investigação que levou à Operação Estoque Zero teve início a partir de informações de que uma residência no município de Palhoça, na Grande Florianópolis funcionava como uma espécie de “escritório do crime” ligado ao tráfico de drogas. O local foi alvo de buscas, em que os agentes apreenderam uma arma de fogo, anotações relacionadas à contabilidade do tráfico e uma quantia significativa em dinheiro.
No decorrer das investigações, o Departamento de Investigações Criminais (DIC) de Palhoça apurou que o imóvel estava no nome de um dos principais investigados. Também foi constatado que a arma de fogo apreendida havia sido roubada de uma residência na cidade, no ano de 2023, tendo um dos investigados como um dos autores do crime.
Com o avanço da investigação, especialmente a partir das análises financeiras, a PCSC chegou a uma complexa rede de movimentações de valores e vínculos entre os integrantes do grupo investigado. Diversas transações tinham como destino uma empresa cuja proprietária havia sido presa no estado do Mato Grosso. Na mesma ocasião, houve a apreensão de uma grande quantidade de maconha.
As apurações indicam que a empresa, do ramo de venda de colchões, era utilizada como fachada para a lavagem de valores obtidos com o tráfico de drogas, funcionando como uma espécie de central financeira para o recebimento, a circulação e a movimentação de recursos que alcançam aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
Também foi constatado que a empresa mantinha ligação direta com outros investigados que foram presos em ocorrências envolvendo expressivas quantidades de drogas em Palhoça e em outros estados. Além da análise financeira, a investigação dos antecedentes relacionados à atividade do grupo incluem a apreensão de uma grande quantidade de drogas:
- 1,6 tonelada de maconha, em fevereiro de 2025.
- 19,14 quilos de cocaína, em setembro de 2023;
- 486 quilos de maconha, em março de 2024;
De acordo com o delegado-geral da PCSC, Marcelo Sampaio Nogueira, que acompanhou a ação na Grande Florianópolis, um dos focos da operação é o sufocamento financeiro da organização criminosa. “Nossos cumprimentos às equipes da Polícia Civil que participaram da operação e, especialmente, à Delegacia de Combate a Drogas, que realizou essa grande investigação para combater, enfrentar facções criminosas e também com vistas à lavagem de dinheiro”, afirmou.
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