Se há pouco mais de um mês eu postei que, no “clássico” das SAFs entre Avaí e Figueirense, o Figueira estava ganhando de goleada com o advento da PanSports, hoje venho publicar que o Avaí virou o jogo e conseguiu tomar a frente nos quesitos investimento, regularização de salários e transparência com sua torcida.
No Avaí:
Embora tenha sido demorada e com muitos percalços, a aprovação da SAF do Avaí, tem surtido mais efeitos imediatos dentro do Leão da Ilha. Logo após o anúncio do presidente Bernardo Pessi sobre a proposta da Kactus Capital em comprar o futebol do Avaí, duas reuniões foram feitas. Naquele momento, os salários estavam atrasados e o Avaí ainda vivia um caos financeiro dentro e fora de campo. Essas duas reuniões ocorreram em um curto espaço de dias, e a proposta da Kactus foi aprovada primeiro no Conselho Deliberativo e, depois, por uma Assembleia Geral na qual quase 80% dos votantes foram a favor da entrada do investimento. Em meio a tudo isso, os salários foram sendo colocados em dia e hoje o clube cumpre rigorosamente suas obrigações salariais, trocou de técnico, contrata jogadores e tem buscado uma melhora dentro da tabela da Série B, onde amarga a zona de rebaixamento.
Na noite desta segunda-feira, Rafael Dantas escreveu mais um capítulo (na minha avaliação, positivo) nesta parceria. Ele esteve reunido com alguns líderes de torcidas para entender a realidade do clube e falar sobre seus planos — um passo importante que demonstra transparência.
No Figueirense:
O clube, que havia começado na frente seu processo de negociação com a PanSports (do grupo liderado por Edson Silva) há cerca de dois meses, teve sua proposta como vencedora de forma esmagadora em uma votação no Conselho que concorria diretamente com a Kactus. Começou seu processo também pelo Conselho Deliberativo e está, até hoje, tramitando dentro da burocracia alvinegra. Edson Silva ainda levantou um dinheiro para fazer o pagamento dos salários dos jogadores, que também estavam atrasados, mas, supostamente, parte deste montante foi retida e uma pequena parte ficou em conta para atender a credores. Isso impediu que esse primeiro aporte fosse totalmente destinado a regularizar a situação trabalhista com os atletas.
Neste período, o Figueira ainda recebeu a notícia do transfer ban, que bloquearia toda e qualquer negociação de contratação futura do clube enquanto não quitasse uma dívida de cerca de R$ 900 mil que tem com o volante Oberdan. Na época, a própria diretoria e Edson Silva tranquilizaram a todos da imprensa e aos torcedores de que isso seria resolvido o quanto antes. O fato é que, até agora, nada ou quase nada foi resolvido. O Figueira permanece com salários atrasados, o transfer ban ainda não foi derrubado e a janela de julho ainda não foi aproveitada para contratações. Ninguém veio para reforçar o Furacão e a PanSports ainda não entrou em definitivo no clube. A instituição já se manifestou publicamente dizendo que as coisas estão sendo resolvidas, mas a que preço? O Figueira amarga sua sexta participação ruim na Série C, caminhando para sua sétima em 2027, e também tem uma Série B do estadual para disputar, mas nada efetivo está sendo feito. Estão perdendo tempo demais; enquanto isso, o time briga sem forças por nada, sendo apenas um mero coadjuvante no campeonato nacional. A torcida quer explicações mais claras e atitudes mais efetivas.
Quando falo que houve uma virada de jogo neste “clássico” e que o Avaí passou à frente, é porque percebo que os dois clubes poderiam estar andando na mesma página no quesito organização, para que pudessem viver dias melhores. Ninguém sabe se PanSports e Kactus são, de fato, a tábua de salvação das equipes da capital, mas ambas eram apresentadas como a solução para as duas instituições. Isso nós vamos ver ao longo do tempo. Continuaremos olhando para os dois lados e tentando entender quais serão os próximos passos que estes grupos de investidores darão com os nossos clubes centenários.
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