27 de agosto de 2026
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Flávio Jr

Liverpool recebe novamente a família internacional dos Beatles

O mineiro Gleison Túlio, conhecido como o “one-man band” da Beatleweek, junto com o manezinho Anderson Tombini, músico e proprietário do Secreto Bar em Floripa. Imagem: Fanny Diefenthaeler.

Correspondente da coluna Flávio Junior, Fanny Diefenthaeler acompanha de Liverpool a 2026 International Beatleweek, encontro que reúne músicos e fãs de diferentes partes do mundo em uma semana dedicada à obra dos Beatles

Liverpool tem uma maneira particular de receber quem chega. Por alguns dias, a cidade deixa de ser apenas o berço de uma das maiores bandas da história e se transforma em ponto de encontro de uma família espalhada pelo mundo. É de lá que Fanny Diefenthaeler, correspondente desta coluna, acompanha a 2026 International Beatleweek, trazendo informações e imagens dos reencontros, shows e as histórias que fazem do festival uma experiência muito maior do que uma celebração musical.

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Na quarta-feira (26), primeiro dia da programação, Liverpool começou a recuperar os sotaques internacionais. Americanos, japoneses, argentinos, brasileiros, suecos e ingleses voltaram a ocupar ruas, bares e, especialmente, os espaços que mantêm viva a memória dos Beatles. Para Fanny, que acompanha a Beatleweek há anos, a sensação é a de reencontrar uma família que passa o ano inteiro distante e, por uma semana, volta para casa.

O festival é um reencontro com uma história que começou em 1977, quando Liverpool realizou sua primeira Beatles Convention, no pequeno Mr Pickwick’s Club, organizada pelo DJ do Cavern Bob Wooler e por Allan Williams, um dos primeiros empresários dos Beatles. Quase cinco décadas depois, aquela pequena convenção de dois dias cresceu e se transformou em um dos maiores encontros internacionais dedicados ao quarteto de Liverpool. Mas, no primeiro dia, antes que os grandes shows tomem conta da cidade, o que chama a atenção são os abraços, as conversas e a expectativa pelo que ainda está por vir. É também o momento de reencontrar velhos amigos, fazer novas amizades e, com algum esforço, guardar energia para os sete dias de festival.

A música, naturalmente, já começou a ocupar os palcos do Cavern Pub e do Cavern Club. Entre as atrações registradas por Fanny esteve o duo inglês The Vincent Brothers, formado pelos irmãos John e Paul, que transformaram em projeto profissional uma parceria nascida nas festas da família. O grupo ganhou o nome atual durante a pandemia, incorporando a homenagem ao pai, já falecido.

Outro destaque foi Savoy Truffle, alter ego beatle do duo de Merseyside Me + Deboe. As duas guitarristas mostram como duas pessoas podem preencher um palco inteiro com instrumentos, harmonias vocais e uma sonoridade surpreendentemente ampla. Da Argentina, Los hijos de Harri, de Catamarca, chegaram ao festival depois de vencerem, em 2025, a competição da Latin American Beatle Week, em Buenos Aires. O grupo nasceu de uma coincidência: as primeiras quatro músicas escolhidas para os ensaios eram todas compostas por George Harrison. Daí surgiu o trocadilho que batiza a banda.

O encerramento da noite teve sotaque brasileiro. O mineiro Gleison Túlio, conhecido como o “one-man band” da Beatleweek, voltou ao palco para construir sozinho, com guitarra eletroacústica, loops, texturas e percussão, a impressão de uma banda inteira. Veterano do festival desde 2009 e integrante do Hall of Fame desde 2012, ele ainda convidou os brasileiros Anderson Tombini, de Florianópolis, e Adal Henrique, da Mocca, para uma celebração que aproximou Liverpool do Brasil.

E talvez esteja justamente aí a essência da Beatleweek. Os shows são apenas uma parte da história. Nos corredores do Cavern, entre uma apresentação e outra, a música continua nas conversas, nos encontros e nos sotaques que atravessam continentes. Há quem chegue pela primeira vez e há quem volte todos os anos. Há quem carregue uma guitarra e quem traga apenas uma camiseta dos Beatles. Todos, porém, parecem saber que estão entrando novamente em território familiar.

De Liverpool, Fanny Diefenthaeler acompanha essa reunião internacional para a coluna Flávio Junior. E a Beatleweek 2026 apenas começou.

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