23 de junho de 2026
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Flávio Jr

Amanhecer em Floripa: um concerto para sentir a arte de outra forma

Imagem: Ana Clara Miranda.

A manhã do próximo sábado (27) vai ganhar acordes, versos e movimentos no jardim do Palácio Cruz e Sousa em Florianópolis. Isso vai ocorrer com o projeto “Amanhecer em Floripa” com o músico Mateus Costa propondo um encontro entre a música, dança, poesia e a inclusão, tendo como protagonista o contrabaixo acústico. Historicamente o instrumento costuma permanecer nos bastidores da harmonia orquestral, sustentando a arquitetura sonora das composições, agora ele assume o centro da narrativa.

Em conjunto a presença dos dançarinos reforça uma ideia cada vez mais necessária: a experiência estética não pertence apenas a quem vê, mas a todos aqueles que estão dispostos a sentir. A manhã artística contará ainda com a participação da poetisa Fere Rocha, ampliando o diálogo entre diferentes linguagens e aproximando a música de concerto da vida cotidiana. É como se os jardins do antigo palácio abrissem espaço para uma conversa entre sons, palavras e movimentos, dissolvendo fronteiras entre palco e público.

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Durante a execução da peça que dá nome ao projeto, o público acompanhará a participação do grupo Bengalantes, da Associação Catarinense para Integração do Cego (ACIC). Formado por bailarinos cegos e com baixa visão, o grupo acrescenta ao espetáculo uma camada de sensibilidade que transcende o olhar e convida a perceber o mundo por outras dimensões. Reconhecido nacionalmente como o primeiro compositor cego a ter uma obra apresentada na XXV Bienal da Música Contemporânea Brasileira, realizada no Rio de Janeiro em 2023, Mateus construiu uma trajetória que desafia convenções e amplia horizontes.

Da obra “Estilho”, apresentada na Bienal, surgiram as composições “Amanhecer” e “Na Arte dos Restos”, formando o repertório que será executado na capital catarinense. Mais do que um recital, o espetáculo se transforma em uma declaração de princípios: a arte como espaço de pertencimento, acessibilidade e democratização cultural. Há também um gesto de generosidade no projeto. As partituras das obras serão distribuídas gratuitamente para instituições de ensino musical de Santa Catarina, incentivando novas interpretações e contribuindo para a circulação da produção contemporânea catarinense.

Em um tempo em que a velocidade muitas vezes sufoca a contemplação, “Amanhecer em Floripa” surge como um convite para desacelerar e escutar. Escutar a música, a poesia, os corpos em movimento e, sobretudo, as possibilidades que nascem quando a arte escolhe incluir em vez de separar.

Serviço

O que: “Amanhecer em Floripa”.
Quando: 27 de junho de 2027, às 10h.
Onde: Jardim do Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa.
Ingressos: gratuitos.

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