Estabelecimento na Grande Florianópolis apresentava ainda problemas de esterilização e teve linha de produção interditada
Mais de 1,3 milhão de medicamentos injetáveis irregulares foram encontrados e uma linha de produção foi interditada em uma farmácia de manipulação em Palhoça, na Grande Florianópolis. A ação ocorreu na última semana, durante uma fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com a Vigilância Sanitária de Santa Catarina.
De acordo com a Anvisa, as “graves irregularidades” foram constatadas na Essentia Pharma (HKM Farmácia de Manipulação Ltda). No local, as equipes identificaram que o estabelecimento trabalhava com a produção de medicamentos em escala industrial, sem a exigência de prescrição médica, além de apresentar “falhas críticas nos processos de esterilização de produtos”, segundo nota divulgada.
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Ao todo, foram apreendidas 1.356.488 unidades de diferentes medicamentos injetáveis pré-produzidos. Nenhuma prescrição médica para a produção ou destinação delas foi apresentada, o que é proibido. Em qualquer farmácia de manipulação, a produção só pode ocorrer para atender a uma prescrição específica, prévia e individualizada.
Esterilização precária e insumos para tirzepatida
Outro problema encontrado pela Anvisa foi a frágil esterilização dos equipamentos utilizados. A equipe constatou risco de contaminação biológica, ou seja, por microrganismos como bactérias e fungos, em decorrência da forma como o processo de manipulação era conduzido e dos materiais que entravam em contato com as formulações.
Os problemas levaram à interdição da linha de produção dos medicamentos que são esterilizados por “envase asséptico”. A esterilização é uma etapa necessária e essencial na produção de medicamentos injetáveis, pois garante que o medicamento final esteja livre de microrganismos. No envase asséptico, o medicamento é inserido em recipientes também esterilizados, que devem ser vedados de forma a impedir a entrada de ar, gases ou outras substâncias.
Também foram encontradas matérias-primas para a produção de tirzepatida – medicamento emagrecedor conhecido pelo nome comercial Mounjaro –, sem os testes e controles adequados requeridos na Nota Técnica 200/2025. A norma da Anvisa estabelece diretrizes rígidas e padronizadas para a importação, controle de qualidade e manipulação de insumos agonistas do receptor GLP-1 (como semaglutida e tirzepatida), para garantir a segurança e a rastreabilidade desses produtos em farmácias magistrais.
O que diz a farmácia de manipulação
A Essentia Pharma não divulgou nenhum posicionamento oficial sobre as irregularidades constatadas pela Anvisa. No entanto, por meio de um comentário em rede social, a empresa afirma que entende a preocupação gerada pelas falhas de qualidade e segurança apontadas, mas que as informações divulgadas trazem uma visão parcial dos fatos.
“A empresa segue operando normalmente, sem qualquer interdição, e está em processo contínuo de adequação às exigências das autoridades. Até o momento, não há nenhuma comprovação técnica de contaminação, pelo contrário, análises e laudos atestam a qualidade e segurança dos produtos. Reforçamos nosso compromisso com transparência, altos padrões e colaboração com as autoridades, sempre garantindo um atendimento seguro”, escreve a farmácia.
Multas a pescadores de lula geram embate entre Santa Catarina e Ibama
Estado e municípios buscam garantir a liberação do arrasto simples de fundo, técnica proibida durante o defeso do camarão
O Governo de Santa Catarina e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) entraram em um embate quanto à pesca artesanal de lulas no estado. Pescadores passaram a ser multados multados pelo Ibama por utilizarem a técnica de arrasto de fundo, que é proibida durante o período do defeso do camarão. Segundo o secretário Executivo de Aquicultura do Estado, Tiago Frigo, os valores das autuações chegam a R$ 11 mil.





