29 de setembro de 2026
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Saúde

Anvisa investiga 13 suspeitas de perda de visão associadas a canetas emagrecedoras

Foto: Banco de Imagem
Doença investigada pode causar perda súbita e permanente da visão, mas ainda não há confirmação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de perda de visão associadas ao uso de canetas emagrecedoras. Os casos ainda estão sendo investigados pela Anvisa. Até o momento, não foi confirmado que os medicamentos tenham causado a perda de visão nos pacientes. Do total, 12 notificações estão relacionadas à semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, enquanto uma envolve a tirzepatida, presente no Mounjaro.

Segundo a Anvisa, o fato de um paciente ter apresentado um problema de saúde após usar o medicamento não significa, necessariamente, que o remédio tenha causado o problema. A agência ainda precisa analisar cada caso para verificar se existe uma relação entre o medicamento e o sintoma. A análise inclui a confirmação do diagnóstico, a relação temporal entre o uso do medicamento e o surgimento dos sintomas, as condições de saúde do paciente, outros medicamentos utilizados e possíveis causas alternativas.

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Doença pode causar perda permanente da visão

A condição investigada é a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIANA), uma doença que afeta o nervo óptico, responsável por transmitir as informações visuais do olho ao cérebro. A doença pode provocar perda súbita da visão e, em alguns casos, causar danos permanentes. O oftalmologista e presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Emilio Suzuki, explica que a doença está relacionada à redução do fluxo sanguíneo para o nervo óptico. Segundo o especialista, processos de emagrecimento rápido podem provocar queda da pressão arterial e, consequentemente, reduzir o fluxo sanguíneo. Ele também cita diabetes e obesidade como fatores que podem estar relacionados à circulação sanguínea nas extremidades, incluindo a região dos olhos.

Pacientes que apresentarem perda repentina da visão, visão turva ou piora rápida da visão durante o uso de semaglutida devem procurar atendimento médico imediatamente.

Anvisa já havia alertado sobre risco

Em junho de 2025, a Anvisa publicou um alerta sobre a perda repentina da visão como um evento adverso muito raro associado à semaglutida. Na ocasião, a agência determinou a inclusão do risco nas bulas dos medicamentos que contêm o princípio ativo, como Ozempic, Wegovy e Rybelsus. A orientação é que, diante de uma perda súbita ou piora rápida da visão, o paciente procure atendimento médico. Caso a NOIANA seja confirmada, a Anvisa recomenda a suspensão do tratamento com semaglutida.

De acordo com a Anvisa, entre 2018 e agosto de 2026, foram registradas 24 notificações de suspeita de neuropatia isquêmica óptica associadas a diferentes medicamentos. Os registros não envolvem exclusivamente os agonistas de GLP-1. Também há notificações relacionadas a outras classes de medicamentos, como imunomoduladores, antineoplásicos, antidiabéticos e medicamentos de uso oftalmológico.

Entre as notificações registradas pela Anvisa, estão:

  • Ozempic: 5 notificações;
  • Wegovy: 3 notificações;
  • Wegovy FlexTouch: 2 notificações;
  • Mounjaro: 1 notificação;
  • Rybelsus: 2 notificações. O medicamento também contém semaglutida, mas é administrado por via oral.

O que dizem os fabricantes

A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirmou que os dados disponíveis atualmente não confirmam uma relação causal entre a semaglutida e a NOIANA. A empresa informou que a segurança dos pacientes é uma prioridade e que acompanha os relatos de eventos adversos por meio de sistemas de farmacovigilância.

Segundo a fabricante, uma análise conjunta de ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo, envolvendo mais de 83 mil pacientes-ano de observação no grupo que recebeu semaglutida, identificou poucos casos de NOIANA confirmados por oftalmologistas. A análise, segundo a empresa, não demonstrou aumento na incidência da doença entre os participantes que receberam semaglutida.

A Novo Nordisk também afirmou que a vigilância contínua dos dados de segurança não alterou essa avaliação e que uma relação causal entre os agonistas do receptor de GLP-1, incluindo a semaglutida, e a NOIANA não pode ser confirmada com base no conjunto de dados disponível.

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que monitora as informações de segurança de seus medicamentos, incluindo possíveis questões oftalmológicas.

Uso deve ter acompanhamento médico

As canetas à base de semaglutida e tirzepatida são utilizadas no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, de acordo com as indicações específicas de cada medicamento. A Anvisa reforça que esses medicamentos exigem prescrição médica, retenção de receita e acompanhamento profissional.

A agência também destaca que as notificações em investigação são suspeitas de eventos adversos e não comprovam, por si só, que os medicamentos tenham provocado a doença ou a perda de visão. A confirmação depende da análise individual de cada caso e da avaliação de outras possíveis causas.

Incêndio toma indústria com 60 toneladas de material combustível no Oeste catarinense

Bombeiros utilizaram cerca de 23 mil litros de água no combate às chamas e no resfriamento dos materiais, em São Lourenço do Oeste

Um incêndio atingiu uma indústria na noite desta segunda-feira (28), no bairro Industrial, em São Lourenço do Oeste, no Oeste de Santa Catarina. As chamas começaram por volta das 20h03 e atingiram a área central de uma edificação de aproximadamente 1,4 mil metros quadrados, que armazenava cerca de 60 toneladas de matéria-prima com alto poder de combustão. O Corpo de Bombeiros Militar (CBMSC) foi acionado pela Polícia Militar (PMSC) e encontrou o incêndio ainda em fase de crescimento. Havia um grande volume de chamas no interior do barracão, mas a estrutura da edificação e o telhado permaneceram preservados. Algumas telhas translúcidas, porém, derreteram devido à ação do calor.