O que acontece quando aquilo que desejamos está diante dos nossos olhos, mas não pode ser alcançado? Entre a vontade de tocar e a impossibilidade de atravessar uma barreira, a artista visual Flávia Fernandes transforma o desejo em experiência sensorial. A instalação “Desejo”, que será apresentada a partir de 1º de outubro, na Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, convida o público a refletir sobre os limites entre o possível, o imaginado e aquilo que permanece inacessível.
No centro da obra, uma agulha de costura de 1,50 metro de comprimento permanece suspensa dentro de um grande objeto inflável vermelho e translúcido. Com 2,5 metros de altura por 1,40 metro de largura, a estrutura em formato de paralelepípedo permite que o visitante enxergue o objeto em seu interior, mas impede qualquer contato direto com ele. A transparência revela, enquanto a barreira desperta a vontade de alcançar.
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A experiência, entretanto, não se limita à observação. Feita de plástico inflável, a instalação apresenta uma superfície macia e maleável, que afunda quando pressionada. Ao tocar o material, o visitante modifica a forma da obra e passa a integrar sua composição. O corpo, o gesto e a curiosidade estabelecem uma relação direta com o trabalho, que se transforma a cada aproximação. Entre o vermelho que chama o olhar e a agulha que desafia a aproximação, a instalação propõe uma reflexão sobre aquilo que nos move: o desejo de alcançar, de conhecer e de ultrapassar fronteiras. Diante da obra, talvez a pergunta não seja apenas o que queremos tocar, mas também o que, mesmo estando tão perto, continua distante.
Serviço
Exposição “Desejo”, de Flávia Fernandes
Abertura: 1º de outubro, às 19h
Visitação: até 25 de novembro – Segunda a sexta, das 13h às 19h; sábados, das 10h às 16h.
Local: Fundação Cultural Badesc – Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis.
Entrada gratuita.
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