Quando se anuncia o cercamento da Praça XV de Novembro para o Carnaval o susto é imediato. Em primeiro lugar pensamos: como é possível cercar o coração da cidade? Mas a memória urbana, essa senhora teimosa, sussurra que a Praça XV já conheceu grades, não foram poucas e nem simbólicas, muito antes do “Rei Momo” subir ao trono . Eram muros, portões, e horários que definiam uma hierarquia social na cidade. Por mais de duas décadas, entre 1891 e 1912, a praça esteve enclausurada por grades de ferro chumbadas em muros sólidos. A estrutura foi inaugurada pelo então presidente da província, Gustavo Richard, para controlar o acesso porque a praça não era tão democrática, mas uma vitrine social e seletiva. Naquele espaço, que era para ser público, as madames conversavam à sombra das árvores e vigiavam as filhas.
Era um contraste social com o lado de fora, nas calçadas as empregadas domésticas aguardavam enquanto eram galanteadas por operários, soldados e marinheiros. Foi um período onde o local, tão querido de nossa cidade, separava classes, destinos e possibilidades. A situação mudou em 1912 quando o prefeito Henrique Rupp mandou derrubar os muros e abrir os portões. Enfim, a praça voltou a ser de todos, mesmo com as diferenças sociais que ainda existiam.
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As grades, fundidas na Inglaterra, que foram o símbolo deste apartheid social não desapareceram completamente. Elas ganharam nova vida em outros endereços do Centro e se tornaram um registro histórico. Elas foram reaproveitadas nos muros da Maternidade Carlos Corrêa, no Asilo Irmão Joaquim e na Igreja Nossa Senhora do Rosário. Já os quatro portões originais evaporaram no tempo.
Atualmente o cercamento temporário da Praça XV para o Carnaval tem outra intenção, outro contexto, outra duração. Não se trata de apartar classes, mas de organizar a festa, conter fluxos e proteger o patrimônio público. Mesmo assim, a imagem da praça novamente delimitada provoca um incômodo, porque ela não é só chão e árvore, é símbolo. A cidade pode mudar, contudo a Praça XV mostra algo sobre quem somos e quem decidimos acolher.
Do dragão da ilha ao encanto com a banana
O sabor do Japão há muito tempo ganhou o paladar das pessoas que moram em Florianópolis. Não dá para negar que as fatias delicadas de peixe cru, em arroz moldado com precisão em algas. Mas, essa intimidade com o Japão, que hoje passa pelo paladar, começou muito antes na Ilha de Santa Catarina e não foi à mesa, chegou pelo mar. Em 1803, quando a…







