18 de fevereiro de 2026
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Flávio Jr

As sociedades que marcaram o Carnaval de Florianópolis

Imagem: Arquivo / Sociedade Carnavalesca Tenente do Diabo.

A história de Florianópolis é atravessada por um carnaval que não cabe apenas na memória, mas que pulsa como herança viva. Antes do brilho intenso das escolas de samba, a Ilha já se encantava com o desfile majestoso das antigas sociedades carnavalescas, protagonistas de um tempo áureo que hoje parece quase mítico. Eram dias em que os chamados “carros de mutação” deslizavam pelas ruas como verdadeiros artefatos de sonho. Não eram apenas alegorias: eram engenhocas encantadas.

Cabos, catracas, manivelas e roldanas transformavam madeira e ferro em espetáculo. De dentro das estruturas surgiam princesas e bruxas, criaturas do imaginário popular e símbolos da modernidade que despontava. Cada movimento revelava uma surpresa, cada giro arrancava suspiros. Antes mesmo do surgimento das escolas de samba, agremiações como Tenentes do Diabo, Granadeiros da Ilha, Trevo de Ouro e Limoeiro reinavam soberanas na folia. Seus desfiles contornavam a Praça XV de Novembro, e desde meados de 1850 já arrebatavam o público com carros que pareciam ter vida própria, confesso, quase alma.

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Com o passar das décadas, a tradição se modernizou. As luzes chegaram, o julgamento foi estruturado em quesitos como mutação e alegoria, e o espetáculo ganhou novos contornos. Ainda assim, foi preservada a essência da arte do encantamento. Essa era dourada resistiu até a década de 1980. Em 1993, as grandes sociedades silenciaram as atividades, deixando um vazio na paisagem carnavalesca da cidade. Em 2006, Granadeiros e Tenentes do Diabo voltaram à passarela, reacendendo a chama da tradição, ainda que por tempo breve, até 2013. Hoje, o eco daqueles carros mágicos ainda percorre a memória da Ilha. São lembranças de um carnaval que unia técnica e fantasia, engenho e poesia quando artistas transformavam ferro, madeira, tecidos e purpurina em pura imaginação.

           

             

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