Ritmo acelerado nas grandes cidades contribui para diagnóstico de transtornos; apenas um em cada quatro pacientes no mundo recebe tratamento especializado
A rotina acelerada nas grandes metrópoles, marcada pelo excesso de compromissos e pela escassez de tempo para o descanso, tem mascarado um problema de saúde pública crescente: a ansiedade. O que muitas vezes é justificado como uma consequência natural do cotidiano urbano pode, na verdade, ocultar sintomas de um transtorno sério que exige atenção médica e, em diversos casos, o uso de medicação para o controle da rotina.
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Diferente da preocupação comum do dia a dia — como o nervosismo antes de uma apresentação ou a inquietação com contas a pagar —, a patologia se caracteriza por um estado de alerta constante que o corpo não consegue desligar. Enquanto a ansiedade natural funciona como uma resposta biológica para manter o indivíduo atento, o transtorno rompe esse equilíbrio e prejudica a funcionalidade do paciente.
Estatísticas e o cenário no Brasil
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam a dimensão global do problema. Atualmente, 328 milhões de pessoas no planeta sofrem com algum transtorno de ansiedade. No entanto, o acesso à saúde permanece um desafio: apenas um em cada quatro indivíduos diagnosticados recebe o tratamento adequado para a condição.
O Brasil apresenta índices alarmantes e superiores à média mundial. A doença afeta mais de 26% da população brasileira, o que representa um contingente de 56 milhões de pessoas convivendo com os sintomas. O diagnóstico médico é o primeiro passo para a implementação de mudanças no estilo de vida, muitas vezes exigindo o que especialistas chamam de “pé no freio” para evitar o agravamento do quadro clínico.
Identificação de sintomas e busca por ajuda
A dificuldade em distinguir o estresse rotineiro de um transtorno crônico é um dos principais obstáculos para o início do tratamento. O ambiente das grandes cidades favorece a negligência com a saúde mental, uma vez que o ritmo intenso é socialmente aceito e muitas vezes incentivado.
Especialistas alertam que a manutenção de um estado de vigilância ininterrupto causa desgaste físico e emocional, sendo necessária a intervenção profissional quando a ansiedade deixa de ser uma ferramenta de defesa para se tornar um fator limitador.
O tratamento geralmente envolve uma combinação de psicoterapia, ajustes na rotina e, quando necessário, intervenção farmacológica prescrita por psiquiatras.
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