Vídeo que circula é de possível caso de maus-tratos a outro cão comunitário na Praia Brava
O porteiro do condomínio na Praia Brava, em Florianópolis, citado no caso da morte do cão comunitário Orelha negou ter filmado ou presenciado as agressões que resultaram na morte do animal. A informação foi divulgada na noite desta quinta-feira (30) pela defesa dele, e confirma o que foi afirmado pela Polícia Civil (PCSC) na coletiva de imprensa sobre a investigação.
“Passou-se a divulgar, falaciosamente, que o porteiro teria filmado o momento da violência praticada contra o cachorrinho Orelha. Essa informação não é verdadeira. Jamais houve, por parte do porteiro, qualquer filmagem do ocorrido. Fato esse devidamente esclarecido perante as autoridades policiais”, escreve o advogado Marcos Vinícius Assis dos Santos em nota enviada à página Floripa Mil Grau.
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De acordo com o pronunciamento, o que foi relatado pelo porteiro ao síndico foram “arruaças, algazarras e confusões, por parte de adolescentes”, após a notícia da morte brutal de Orelha tornar-se pública na Praia Brava. “Esses relatos feitos pelo porteiro à administração do condomínio não se limitaram aos dias contemporâneos aos fatos, mas em meses anteriores também, já que se tratava de atividade de seu ofício estar atento a situações atípicas e relatar o ocorrido”, continua a nota.
Por que ele é envolvido no caso?
Com a rápida repercussão do caso nas redes sociais, uma série de informações equivocadas passaram a ser divulgadas. Uma delas é a de que existiria um vídeo registrando as agressões ao animal, que foi atribuído ao porteiro. Por conta disso, o trabalhador chegou a ser ameaçado e coagido por familiares dos adolescentes.
“O porteiro passou a ser alvo de constrangimentos e ameaças em seu ambiente de trabalho por parte da administração do condomínio, tais como, ameaça escrita de advertência (não concretizada em razão da recusa no seu recebimento e assinatura por parte do porteiro)”. Além de reprimenda verbal, o homem foi afastado do serviço por meio de férias compulsórias, sem aviso prévio legal.
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As ameaças foram relatadas pelo porteiro durante depoimento à PCSC. Imagens de uma câmera de monitoramento do condomínio obtidas pela investigação registraram o momento em que o tio de um dos adolescentes teria coagido o trabalhador, supostamente portando uma arma.
“O que se está fazendo é colocar um trabalhador sério, honesto, com mais de 13 anos de atuação sem qualquer intercorrência em sua atividade laborativa, como testemunha ocular de um fato não presenciado. Mesmo tendo esclarecido tudo isso, ele foi alvo de violações à sua liberdade, intimidade, privacidade, moral, ao trabalho digno e, principalmente, a sua segurança”, conclui a nota divulgada pela defesa do porteiro.

Três indiciados por coação
Dois pais e o tio de um dos adolescentes foram indiciados pela Polícia Civil pelo crime de coação no curso do processo, por conta da conduta flagrada contra o porteiro e outras pessoas, que relataram à PCSC durante as oitivas do caso. “A pessoa também utilizava algumas frases de efeito, tipo ‘você sabe com quem está falando?’, ‘vamos mandar guinchar seu carro’, e outras situações assim. E aí também perceberam esse volume na região da cintura que gerou essa intimidação e essa suspeita de que poderia ser uma arma de fogo”, explicou a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal – que abriu a investigação sobre este crime.
Na operação policial deflagrada na segunda-feira (26), foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos adolescentes suspeitos e também de familiares. Um dos objetivos era localizar a suposta arma, que não foi encontrada. “Nós fizemos nosso trabalho no sentido de averiguar se a pessoa estava em posse de alguma arma. Não existia nenhum registro em nome dessa pessoa de arma de fogo”, acrescenta a delegada.

Maus-tratos a outro cachorro
Apesar de não haver registros das agressões brutais contra o cão Orelha, outro vídeo que circula nas redes sociais e que foi obtido pela PCSC registrou um grupo de adolescentes cometendo maus-tratos a outro cão comunitário da Praia Brava, chamado Caramelo. “Nós temos a imagem deles pegando esse animal no colo e a câmera corta. Mas nós temos depoimentos de testemunhas que afirmam que eles arremessavam esse cão ao mar”, relatou Mardjoli em coletiva de imprensa.
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Felizmente, o animal conseguiu escapar do grupo e foi posteriormente adotado pelo delegado-geral da PCSC, Ulisses Gabriel. Os quatro adolescentes suspeitos de matarem Orelha também são apontados como os homens registrados carregando Caramelo e podem responder por mais esse caso de maus-tratos. Outras condutas citadas em depoimento por testemunhas incluem depredação de bens, furtos e atentado à honra de trabalhadores da Praia Brava, fatos que também são alvo da investigação.
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Dois dos quatro investigados estavam em viagem aos Estados Unidos
Os dois adolescentes investigados no caso da morte do cão Orelha, em Florianópolis, que estavam em viagem aos Estados Unidos retornaram ao Brasil nesta quinta-feira (29). Eles foram alvos de mandados de busca e apreensão pela Polícia Civil (PCSC) ao desembarcarem no Aeroporto Internacional de Florianópolis e tiveram os celulares recolhidos.





