MPSC pediu arquivamento da investigação afirmando que morte do animal foi causada por doença óssea grave e não por violência, além de problemas na análise das imagens de monitoramento
A investigação sobre o caso do cão “Orelha”, que mobilizou redes sociais e gerou forte repercussão em Florianópolis no início de 2026, teve um novo desdobramento nesta terça-feira (12). O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) concluiu que os adolescentes investigados e o animal não estiveram juntos na Praia Brava no horário da suposta agressão e que a morte do cão está relacionada a uma grave doença preexistente, afastando a hipótese de maus-tratos.
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A conclusão consta em uma manifestação de 170 páginas protocolada na Vara da Infância e Juventude da Capital e assinada por três Promotorias de Justiça. O documento reúne a análise de quase dois mil arquivos digitais, entre vídeos, imagens, laudos técnicos, dados de celulares apreendidos e depoimentos de testemunhas e adolescentes ouvidos novamente durante a investigação.
Segundo o MPSC, a reconstituição detalhada da cronologia dos fatos identificou um erro decisivo na análise inicial das imagens de monitoramento. A investigação apontou que houve um descompasso temporal de aproximadamente 30 minutos entre os horários registrados pelas câmeras públicas do sistema Bem-Te-Vi e as imagens das câmeras privadas do condomínio ligado aos adolescentes investigados. De acordo com as Promotorias, a diferença de horário comprometeu a linha do tempo usada anteriormente pela investigação policial. Após a correção técnica, foi constatado que, no momento em que o adolescente investigado estava próximo ao deck da praia, o cão “Orelha” se encontrava a cerca de 600 metros de distância.
A perícia da Polícia Científica e a reanálise realizada pelo Grupo de Trabalho do Ministério Público também indicaram que o cão apresentava plena capacidade motora e comportamento normal quase uma hora após o horário em que teria ocorrido a suposta agressão, o que enfraqueceu ainda mais a hipótese de violência recente. Da mesma forma a investigação afastou suspeitas envolvendo os chamados cães “Caramelo”, após análise de imagens e depoimentos. Segundo o Ministério Público, não houve maus-tratos nem tentativa de afogamento dos animais, como chegou a circular nas redes sociais.
Laudo aponta “Cão Orelha” doente
Outro ponto central da investigação foi o estado de saúde do animal. O laudo veterinário produzido após a exumação do corpo descartou fraturas, cortes ou lesões compatíveis com agressão humana. Segundo os peritos, o cão sofria de osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea grave e crônica possivelmente relacionada a doenças periodontais avançadas. As imagens anexadas ao processo mostram uma lesão antiga, com sinais de inflamação prolongada, além de acúmulo severo de cálculos dentários. Conforme o Ministério Público, o inchaço observado na região do olho esquerdo era compatível com o quadro infeccioso identificado pelos veterinários.
O documento também destaca que não existem registros visuais ou testemunhais diretos que comprovem a presença do cão na faixa de areia da Praia Brava durante o período da suposta agressão. Segundo as Promotorias, grande parte da narrativa inicial surgiu a partir de comentários em redes sociais, boatos e relatos indiretos marcados por expressões como “ouvi dizer” e “vi nas redes sociais”.
“Linchamento virtual”
Para o Ministério Público, a ampla disseminação dessas versões sem comprovação contribuiu para um “linchamento virtual” precoce e direcionou a investigação para hipóteses que não se sustentaram tecnicamente.
Além do pedido de arquivamento do procedimento envolvendo o cão “Orelha”, as Promotorias solicitaram ao Judiciário o envio de cópias do caso à Corregedoria da Polícia Civil para apuração de possíveis irregularidades durante a investigação. Também foi solicitado encaminhamento à 9ª Promotoria de Justiça da Capital para análise de eventual divulgação indevida de informações sigilosas envolvendo adolescentes.
Investigação nas redes sociais
O MPSC informou ainda que deverá abrir uma investigação específica, com apoio do CyberGAECO, para apurar possível monetização de conteúdos falsos relacionados ao caso nas redes sociais. O objetivo é verificar eventuais ilícitos e discutir mecanismos que evitem o uso de episódios sensíveis, especialmente aqueles envolvendo crianças e adolescentes, para obtenção de engajamento digital e lucro financeiro.
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