13 de julho de 2024
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Ocorrência

Catarinense passou 10 horas abraçado a árvore antes de morrer no RS

Sinimbu, no Vale do Rio Pardo, foi arrasada por enxurradas. Gustavo Mansur/ Palácio Piratini

Por: Flávio Júnior / Portal TVBV Online

Cunhado relata últimos momentos de vida Carlos Wolfart, 41 anos

Na manhã desta sexta-feira o corpo do catarinense, Carlos Wolfart, de 41 anos, que perdeu a vida na tragédia do Rio Grande do Sul, foi enterrado em Itapiranga, no Extremo Oeste Catarinense. A equipe do Portal TVBV Online conversou com o cunhado da vítima, Gilberto Eidt, que relatou os últimos momentos de vida do catarinense.

 

Carlos foi para o Rio Grande do Sul, no dia 29 de abril, junto com familiares da esposa, para ser padrinho de casamento da irmã e do cunhado. “No dia 30 de abril era o dia do meu casamento que já estava marcado a um ano, por que faço aniversário no dia primeiro de maio e nos programamos para trazer amigos e familiares” relatou Gilberto.

Carlos Wolfart, 41 anos. Imagens: Redes Sociais.

 

Ele hospedou os parentes da noiva em um sítio que é proprietário Sinimbu, no Vale do Rio Pardo, para que não gastassem com hospedagem em hotel. “O combinado era que todos se arrumariam para o casamento na minha casa em Santa Cruz do Sul”, disse Gilberto.

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Durante a noite do dia 29 choveu muito na região. Carlos acordou cedo no dia 30 no sítio e foi ver como estava o acesso ao local. Na entrada da propriedade passa um rio e existe um grande lago. No trajeto a água já estava 10 centímetros sobre a estrada. “Ele caminhou 500 metros e viu que o rio estava subindo. Por volta das 6 h 40 me ligou por vídeo. Nós ficamos sete minutos na ligação e ele disse que a água estava subindo muito rápido”, relatou o cunhado.

Sinimbu foi arrasada pela força da enxurrada. Imagem: Gustavo Mansur/ Palácio Piratini.

 

Quando Carlos tentou voltar, a água já estava correndo do rio para o lago. Ele foi cercado pela correnteza e ficou ilhado. Carlos permaneceu cerca de 10 horas agarrado a uma árvore. “Chegamos conseguir dois helicópteros mas não tinha teto de voo, bombeiros e defesa civil tentaram atravessar o rio, mas não conseguiram”, contou Gilberto.

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Ele conseguiu a ajuda de dois amigos e foram para o local com motos aquáticas. Devido a problemas nas estradas de acesso levaram quatro horas para chegar, até um ponto onde as motos aquáticas pudessem ser colocadas no rio. “Cerca de uma hora enfrentamos a correnteza, mas chegamos 30 minutos atrasados. Eu tinha a coordenada onde o Carlos estava, infelizmente no momento que cheguei ele já tinha desaparecido com árvore e tudo”, relatou emocionado.

Estradas bloqueadas em Sininmbu. Imagem: MetSul

 

Bombeiros, policiais civis, voluntários e trilheiros realizaram buscas e o corpo foi localizado apenas na tarde da última quarta-feira (08). “Graças a Deus encontramos ele. Triste momento, mas hoje estou de cabeça erguida por que conseguimos encontrar o corpo. A demanda e orações da família era encontrar ele para fazer um velório decente pela pessoa que ele foi para família, pelo exemplo homem, de pai, irmão e filho” finalizou Gilberto. O corpo foi liberado pelo Instituto Médico Legal do Rio Grande do Sul na última quinta-feira (09) e o enterro ocorreu na manhã desta sexta-feira (10).