Operação do GAECO prendeu nove pessoas e cumpriu 35 mandados de busca e apreensão em SC e no RS
Um grupo suspeito de lavar R$ 100 milhões do tráfico de drogas por meio do comércio de gado inexistente foi alvo da Operação Boi Fantasma, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) nesta terça-feira (9). A ação contou com a prisão de nove pessoas, 35 mandados de busca e apreensão, o bloqueio de R$ 100,7 milhões e o sequestro e apreensão de 15 veículos e um imóvel.
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As ordens judiciais foram cumpridas nos municípios gaúchos de Alegrete, Quaraí, Pelotas, Capão do Leão, Itaqui, Canoas e São Leopoldo e também foram realizadas ações nos presídios de São Gabriel, Uruguaiana e Cachoeira do Sul. Além disso, a operação teve como alvo endereços de suspeitos nas cidades catarinenses de Palhoça e Joinville. Durante a ação, foram apreendidos 46 celulares, oito aparelhos eletrônicos diversos, duas armas e R$ 37 mil em dinheiro.
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), cerca de 30 pessoas estariam envolvidas no esquema, que simulava a venda de bois com o objetivo de ocultar os valores provenientes do tráfico de drogas. A lavagem do dinheiro era realizada por meio da emissão de notas fiscais e Guias de Trânsito Animal (GTAs) por parte de pessoas “laranjas”, sem que houvesse qualquer rebanho.
Após a emissão dos documentos falsificados, uma parcela do dinheiro era transferida para as contas bancárias dos envolvidos, enquanto outra ia para empresas e plataformas de apostas. De acordo com o MPRS, apenas cinco integrantes movimentaram cerca de R$ 24,8 milhões nos últimos dois anos.
Durante as investigações, as autoridades realizaram o monitoramento de duas propriedades rurais arrendadas pelo grupo e confirmaram que não havia nenhum gado no local. Além disso, a análise de provas documentais revelaram que os supostos animais estariam permanecendo nas propriedades por um tempo incompatível com o ciclo de criação.
Com o aprofundamento das apurações, foi apontado que o esquema era liderado por um traficante conhecido como “rei do gado”, que comandava as ações de dentro de um presídio. O esquema também contava com a participação de familiares do traficante na ocultação dos valores e emissão de documentos.
*Sob supervisão de Fernando Bortoluzzi
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