14 de julho de 2024
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Policial

Corretora ilegal de investimentos bilionária em SC é alvo de operação da PF

Aproximadamente R$ 400 milhões em bens foram apreendidos em mandados cumpridos em 4 estados

Uma organização criminosa com estrutura semelhante à pirâmide financeira é alvo de uma ação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta  terça-feira (28) em Florianópolis. Onze medidas cautelares diversas de prisão são cumpridos contra 12 pessoas – 2 delas serão monitoradas por tornozeleira eletrônica. Os integrantes do grupo operavam a partir de instituições financeiras e agentes do mercado de capitais sem autorização ou registro no Banco Central do Brasil e na Comissão de Valores Mobiliários.

A chamada Operação Ouranós cumpre também 28 mandados de busca e apreensão, sendo 9 deles em Balneário Camboriú, no Vale do Itajaí, 3 em Palhoça, na Grande Florianópolis, 11 em Curitiba (PR), 3 em São Paulo (SP) e 2 em Porto Alegre (RS).

Além das medidas cautelares contra pessoas físicas, a PF cumpre também ações contra mais de 50 empresas e o bloqueio e confisco de aproximadamente R$ 400 milhões em bens entre 473 imóveis, 10 embarcações, 40 veículos de luxo e alto luxo, mais de 111 contas bancárias, 3 fundos de investimento e um jatinho. Confira imagens no vídeo abaixo.

 

Organização fazia “centrifugação de dinheiro”

O esquema consistia na administração de uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários – DTVM para captar recursos que chegaram a mais de R$1 bilhão. Aproximadamente 7 mil investidores de 17 estados da Federação e do exterior foram cooptados por meio de ofertas públicas de Contratos de Investimento Coletivos – CIC, para aplicação em criptomoedas, com remunerações fixas e variáveis, sem qualquer controle, registro ou autorização dos órgãos competentes.

A partir dessa captação bilionária, os recursos transitaram em contas de diversas empresas, por meio de blindagem patrimonial, com o objetivo de esvaziar o patrimônio da instituição financeira clandestina e ocultar a origem dos recursos. O rastreamento dos recursos ilícitos mostrou que os investigados realizavam “centrifugação de dinheiro”, sistema em que são utilizados vários níveis em contas de passagem, com fracionamento de transferências bancárias.

 

Dinheiro pode ter outras origens ilícitas

As investigações identificaram também investimentos com possível origem no tráfico de drogas, crimes contra o sistema financeiro nacional e fraudes empresariais e fiscais.

A apuração, iniciada em 2020, constatou que o início das ações ilícitas ocorreu em Balneário Camboriú e em seguida se espalhou para Curitiba e, posteriormente, para o centro econômico do país, em São Paulo.

Os acusados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional, dentre eles, operar instituição financeira sem autorização, oferta irregular de valor mobiliário e exercício ilegal de assessoria de investimento.

 

Entre os bens confiscados na Operação Ouranós estão jatinho e carros de luxo

 

Imagens: PF