23 de março de 2026
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Flávio Jr

Do Silêncio ao Destino: a formação de Florianópolis

Pintura de Eduardo Dias (1872-1945),Vista de Florianópolis.

Antes de qualquer nome, antes de qualquer traço firme nos mapas, a Ilha de Santa Catarina era pausa, era respiro. “Neste pedaço de terra perdido no mar” povos antigos erguiam os sambaquis, não como restos, mas como monumentos vivos de existência. Mais tarde, os povos tupi-guaranis, conhecidos como carijós, ocuparam o litoral com aldeias, agricultura e a relação íntima com o mar. Deram nomes à terra: sons que ainda hoje resistem em lugares como Pirajubaé, Itaguaçu e Anhatomirim, palavras que são, ao mesmo tempo, memória e permanência.

A Ilha era um ponto de silêncio entre travessias longas, onde navegadores aportavam para saciar a sede, recompor o corpo e seguir, como se a ilha fosse mais descanso do que destino. No século XVI, velas estrangeiras começaram a riscar o horizonte. O castelhano Ruy Coschera ensaiou permanência em 1536. Pouco depois, Gonçalo Mendoza chegou em missão de abastecimento, já encontrando sinais de cultivo. Em 1540, foi a vez de Álvar Núñez Cabeza de Vaca aportou com sua expedição numerosa.

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Os mapas vieram depois, como tentativas de compreender o que já existia. No século XVII, cartógrafos europeus desenharam a ilha entre imprecisões e descobertas. O holandês Jodocus Hondius registrou rios e ilhas, ainda sem captar completamente o contorno da terra. Só anos depois, seu parente Henricus Hondius revelaria, com mais exatidão, a forma insular que hoje reconhecemos.

Enquanto isso, a história ganhava raízes. Entre 1651 e 1675, o bandeirante Francisco Dias Velho iniciou o povoamento que daria origem à antiga Nossa Senhora do Desterro. Trouxe homens, ergueu lavouras, levantou uma capela onde hoje pulsa a catedral da cidade. Era o início de uma ocupação permanente, ainda frágil, ainda em construção, mas já marcada pelo desejo de ficar.

Entre navegadores, piratas e lutas Florianópolis nasceu, assim, entre contrastes: descanso e conquista, acolhimento e ruptura, memória e esquecimento. Uma cidade que começou como parada no mapa e se tornou destino, mas que, em cada canto, ainda guarda ecos de quem esteve antes. E assim a ilha, silenciosa e cercada de mar, continua contando sua história.

           

             

Do dragão da ilha ao encanto com a banana

O sabor do Japão há muito tempo ganhou o paladar das pessoas que moram em Florianópolis. Não dá para negar que as fatias delicadas de peixe cru, em arroz moldado com precisão em algas. Mas, essa intimidade com o Japão, que hoje passa pelo paladar, começou muito antes na Ilha de Santa Catarina e não foi à mesa, chegou pelo mar. Em 1803, quando a…