Fórum Climático Catarinense aponta para retorno do fenômeno caracterizado por temporais intensos e ondas de calor
A Defesa Civil de Santa Catarina (SPDC/SC) se prepara para um segundo semestre de 2026 com volumes elevados de chuva no estado, após meses de tempo mais seco. Isso ocorre por conta da atuação do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, que se encontram atualmente em situação de neutralidade.
O cenário indica um risco mais elevado de alagamentos, enxurradas e cheias em Santa Catarina em relação ao ano anterior, especialmente na primavera. A previsão para os próximos meses foi definida no 240º Fórum Climático Catarinense, que reuniu meteorologistas da Secretaria da Proteção e Defesa Civil estadual, da Epagri/Ciram e do AlertaBlu, além de pesquisadores do IFSC e da UFSC, realizado no fim de março.
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De acordo com os meteorologistas, ainda não é possível indicar com precisão quais regiões do estado serão mais afetadas nem quando os impactos serão mais intensos. Ainda assim, o padrão típico do fenômeno é uma tendência de aumento na frequência e no volume de chuva no Sul do Brasil. As temperaturas também devem permanecer acima da média para o período. Os episódios de frio mais intenso são esperados a partir da metade de maio, mas de forma menos persistente, com entradas de ar frio mais curtas e intercaladas por períodos de aquecimento.
Impactos do El Niño
De acordo com os meteorologistas da Defesa Civil, os efeitos do El Niño não são iguais em todas as partes do mundo. Em algumas áreas, a chuva passa a ser mais persistente e volumosa, enquanto outras enfrentam períodos mais secos.
“No Sul do Brasil, o fenômeno está associado a temperaturas mais elevadas, principalmente na primavera e no verão. Nesses períodos, há maior frequência de dias quentes e de ondas de calor, com temperaturas acima da média. Além disso, episódios de chuva volumosa e tempestades severas passam a ser mais frequentes, especialmente na primavera”, explicam os meteorologistas Nicolle Reis e Caio Guerra
Em Santa Catarina, o aumento do calor e do transporte de umidade da região amazônica, que geralmente acontecem na primavera, podem ocorrer ainda no final do inverno, favorecendo a formação de tempestades mais cedo do que o habitual. “No estado, o período mais crítico costuma se concentrar entre setembro e novembro, quando há maior risco de ocorrências associadas à chuva volumosa, como enxurradas, elevação dos níveis dos rios e inundações”, afirmam os meteorologistas da SPDC/SC.
O que é o fenômeno
O El Niño é um fenômeno climático marcado pela elevação anormal da temperatura das águas do Oceano Pacífico na região próxima à linha do Equador. Esse aquecimento pode persistir por vários meses, interferindo diretamente na formação de nuvens e na ocorrência de chuvas na região tropical do Pacífico. Como a atmosfera funciona de forma integrada, essa mudança altera a circulação de ventos e a distribuição de calor e umidade em diversas partes do mundo.
Esse aquecimento não é um evento isolado do oceano, mas um fenômeno de grande escala que também afeta a atmosfera e o clima global. “Não há um intervalo fixo entre os episódios, mas, em geral, eles se repetem a cada dois a sete anos. A duração também pode variar. Normalmente, o fenômeno persiste entre nove meses e um ano, embora existam casos mais prolongados, como o evento registrado entre 2015 e 2016”, explicam Nicolle Reis e Caio Guerra.
O fenômeno oposto é chamado de La Niña. Nesse caso, ocorre o resfriamento das águas do Pacífico equatorial, o que também provoca alterações nos padrões de chuva e temperatura, mas com efeitos diferentes dos observados durante o El Niño. Em Santa Catarina, a tendência é de menos chuvas na região Oeste e temperaturas máximas mais amenas.
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