27 de janeiro de 2026
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Paulo Chagas

Em Nota, MDB anuncia possível rompimento com o governo

Após anos como aliado e ocupando cargos-chave, partido reage à exclusão da vice e busca um projeto próprio para 2026. Na foto, os nomes do MDB dentro do Governo / Foto: Instagram MDB

Em reunião na noite desta segunda-feira (26), o MDB catarinense tomou algumas decisões que podem mudar o conjunto da história desenhada até aqui junto ao Governo. O Partido passou os últimos anos jogando no “modo governista”. Foi assim com Carlos Moisés e agora com Jorginho Mello: sempre aliado formal, sempre ocupando secretarias estratégicas, sempre com presença robusta na máquina pública. Agricultura, Infraestrutura, Meio Ambiente, Fesporte… não são cargos decorativos. São pastas que dão capilaridade eleitoral, visibilidade regional e poder de barganha. Ou seja, o MDB nunca foi figurante, foi sócio de primeira linha.

Simbologia

É justamente por isso que o rompimento agora é tão simbólico. Pela primeira vez em muito tempo, o MDB abre mão, ao menos no discurso, desse lugar confortável de “partido do governo” para tentar voltar a ser “partido de projeto”. E isso não nasce de um surto de independência ideológica, mas de um choque de realidade: mesmo entregando governabilidade, estrutura e tempo de televisão, o MDB foi preterido na hora mais sensível, a definição da chapa majoritária.

Vice

A escolha de Adriano Silva (Novo) expôs algo que já vinha sendo sussurrado nos bastidores: Jorginho passou a enxergar o MDB mais como um aliado funcional do que como um parceiro estratégico. O partido entregava governabilidade, mas não recebia reciprocidade política proporcional. Quando perdeu a vice, perdeu também o último símbolo de protagonismo dentro do governo. Nesse contexto, a decisão unânime do diretório tem muito mais cara de reação tardia do que de ruptura planejada. O MDB percebeu que, se continuasse nessa lógica de “sempre aliado”, chegaria em 2026 com a conta cheia de obras, mas sem crédito político próprio. Teria ajudado a governar dois ciclos seguidos e, ainda assim, estaria fora da foto principal.

Nota

A ambiguidade da nota, “orienta” a saída dos cargos, sem impor prazo, também ganha outro significado quando se olha para esse histórico. O MDB está tentando fazer uma transição controlada: sair do governo sem perder totalmente o lastro administrativo que sustenta suas lideranças regionais. É um pé fora e outro dentro, típico de um partido que sabe que precisa mudar de posição no tabuleiro, mas ainda tem medo do custo imediato dessa mudança. No fundo, o MDB tenta romper um vício político: o de sobreviver sempre à sombra do Executivo. A pergunta central agora é se terá coragem de ir até o fim. Porque, se a “independência” virar apenas um discurso elegante para continuar ocupando cargos e votando com o governo, o partido só confirmará a crítica que o persegue há anos: a de que virou uma legenda de administração, não de projeto de poder.

Por fim

Se, por outro lado, levar a ruptura a sério, bancar uma candidatura competitiva e costurar alianças fora do guarda-chuva de Jorginho, aí sim esse movimento de agora pode marcar o início de uma real tentativa de refundação política do MDB em Santa Catarina.

Abaixo a Nota do MDB