Florianópolis tem muitos lugares que a gente visita e que carrega. De alguma forma, eles deixam de ser apenas geografia e passam a fazer parte da memória e do cotidiano das pessoas. A Praça XV é um desses endereços. E, no meio dela, existe uma árvore que cresceu junto com Florianópolis. Enquanto a cidade corre ao redor, basta olhar para cima para ver a figueira centenária com os galhos desenhando uma espécie de teto natural sobre a praça.
Ela foi plantada em frente a Catedral metropolitana por volta de 1871 e 20 anos mais tarde foi levada para o local onde hoje encanta turistas e moradores. Quem olha para os galhos pode imaginar quantas conversas já aconteceram sob aquela sombra. Quantos encontros foram marcados ali. Quantas despedidas, primeiros beijos ou quantas fotografias de família. Ela guarda a infância de quem hoje já tem cabelos brancos ou a sensação de quem nasceu aqui e cresceu acreditando que aquela paisagem sempre existiria. Citada até no hino do município a figueira permanece no misticismo da “Ilha da Magia” como a árvore dos desejos. Basta dar uma volta no tronco para garantir o retorno à Floripa, duas voltas para encontrar um amor, três para um casamento ou sete voltas para a realização de um desejo.
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Passadas 154 primaveras a figueira continua crescendo e adquiriu uma dimensão que ultrapassa a própria botânica. Os galhos de tão longos já foram sustentados por estacas de ferro e até suportes de bambu. Nesta segunda-feira (21), Dia da Árvore, a nossa figueira passa a ser revitalizada. O sistema de sustentação será renovado com a substituição das escoras por uma combinação de novos apoios e cabeamento. O projeto foi dimensionado com base na configuração da copa, do peso dos galhos e de avaliações técnicas realizadas na árvore. Além disso dentro das ações previstas, será feita ainda uma avaliação individual dos demais exemplares da praça, com podas e com a substituição gradativa de espécies exóticas invasoras por espécies nativas da Ilha.
Cuidar da figueira é mais do que preservar um exemplar da natureza. É reconhecer que cidades também precisam conservar aquilo que não pode ser substituído por concreto, tecnologia ou novidade. O futuro precisa chegar, claro. Mas não precisa apagar tudo o que veio antes. Talvez uma cidade verdadeiramente viva seja justamente aquela capaz de fazer convivê-los: o novo e o antigo, o movimento e a pausa, o crescimento e a permanência. Seja pelas ruas da cidade ou em um banco a sombra da figueira.
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