Jornalista realizava escala quando foi detido por oficiais de migração e mandado de volta ao Brasil
O jornalista e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social no segundo governo Lula, Franklin Martins, foi detido e deportado do Panamá na última sexta-feira (6). Ele fazia uma escala com destino à Cidade da Guatemala, onde participaria de um seminário, quando foi abordado por policiais e colocado em um voo de volta ao Brasil. Posteriormente, o Panamá enviou um pedido formal de desculpas ao Ministério de Relações Exteriores.
Segundo o relato do próprio Martins, agentes a paisana pediam os passaportes dos passageiros apenas para examiná-los rapidamente. Mas em sua vez, decidiram conduzi-lo até uma sala no Aeroporto Internacional de Tocumen, onde foi entrevistado, fotografado e teve as impressões digitais coletadas. O ex-ministro perguntou o motivo da prisão e os policiais citaram a Lei de Migração de 2008, que proíbe conexões via Panamá a passageiros que tenham cometido crimes graves, entre eles sequestros, mas não apresentaram nenhum motivo específico.
> Siga nosso canal no WhatsApp e receba as notícias do TVBV Online em primeira mão
Questionado pelos agentes sobre prisões anteriores, Franklin Martins confirmou que foi preso durante a ditara militar no Brasil. Ele havia sido detido no Congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna (SP), no ano de 1968. Depois, Martins ainda integrou o grupo guerrilheiro que participou do sequestro do embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, cuja liberação foi negociada pela libertação de presos políticos do regime.
“Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas”, disse o ex-ministro em relato ao Itamaraty. Horas mais tarde, ele foi colocado em um voo de volta para o Rio de Janeiro, onde teve seu passaporte de volta ao chegar.
Em observação ao Itamaraty, Martins afirma que sua prisão não ocorreu por acaso. “Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas – a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa – com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão. Talvez seja um sinal dos tempos turbulentos que estamos vivendo”, escreveu em seu relato.
Panamá pede desculpas
Após o ocorrido, o ministério de Relações Exteriores, Mauro Viera, pediu explicações à chancelaria panamenha. No domingo (8), o órgão emitiu um pedido formal de desculpas. “Permita-me expressar, em nome do Governo Nacional do Panamá, nossas sinceras desculpas pelo inconveniente causado por esta situação, que ocorreu no âmbito da aplicação estritamente administrativa dos procedimentos automáticos de imigração”, diz a mensagem assinada por Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez, ministro das Relações Exteriores do Panamá.
Segundo a pasta, Martins foi detido devido à “aplicação automática de procedimentos de imigração com base em informações dos sistemas automatizados de alerta” utilizados pelas autoridades panamenhas. “Após analisar o incidente, gostaria de expressar que este evento não reflete, de forma alguma, a consideração e o respeito que o Governo da República do Panamá nutre pelo sr. de Souza Martins, nem por sua distinta trajetória pública como jornalista e servidor público no Brasil durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, acrescentou o chanceler.
Mulher é presa após filmar tortura dos próprios filhos e enviar ao pai
Crianças de 3 e 1 ano de idade foram encontradas com hematomas e arranhões
Uma mulher de 38 anos foi presa suspeita de torturar os dois filhos, de 3 e 1 ano de idade. Ela ainda teria filmado as agressões e enviado para o pai, de quem ela é separada. O caso ocorreu na noite deste domingo (8) em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.





