Sítios arqueológicos, museus e a própria arquitetura preservam marcas de tempos de antes mesmo de Desterro
Florianópolis chega nesta segunda-feira (23) aos seus 353 anos. Em ritmo de transformação de olho no desenvolvimento e no acolhimento à população de outros estados e países que são atraídos pelas oportunidades, a cidade preserva ainda a própria história em diferentes camadas: desde a pré-história, passando pela colonização e até os dias atuais. Entre arquitetura, tradições, museus, fortalezas e sítios arqueológicos, a capital catarinense oferece um percurso onde o passado não apenas é lembrado, mas experimentado.
Sítios arqueológicos: vestígios de antes da colonização
Antes mesmo da chegada dos colonizadores, a região já era ocupada por povos originários, e parte dessa presença permanece registrada em sítios arqueológicos espalhados pela Ilha e seus arredores. Os homens de sambaqui, grupos humanos pré-históricos que habitaram o litoral brasileiro há aproximadamente entre 8 mil e 1 mil anos atrás, são conhecidos principalmente pelos grandes montes de conchas que construíram – os sambaquis – e outros registros marcados no tempo.
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A Ilha do Campeche, destino paradisíaco em Florianópolis, é também um dos principais sítios arqueológicos do litoral brasileiro,com inscrições rupestres gravadas em rochas que revelam aspectos simbólicos e culturais dessas populações. O acesso controlado e as visitas guiadas reforçam o caráter de preservação do local.

Na Praia do Santinho, outro importante conjunto de inscrições rupestres pode ser observado nos costões, integrando história milenar e paisagem natural. Esses registros ampliam a compreensão da ocupação da Ilha, mostrando que a história de Florianópolis começa muito antes da colonização açoriana.
Arquitetura que preserva a antiga Desterro
A história urbana de Florianópolis é revelada principalmente no Centro Histórico da cidade. Construções como o Palácio Cruz e Sousa, antiga sede do governo e atual Museu Histórico de Santa Catarina, sintetizam transformações arquitetônicas ao longo dos séculos, combinando elementos coloniais, barrocos e neoclássicos.

Ao redor, a Praça XV de Novembro, a Catedral Metropolitana e o casario preservado ajudam a reconstituir o cenário da antiga Desterro. Já em bairros como Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha, a herança açoriana aparece de forma ainda mais evidente, com casas voltadas para o mar e traços urbanísticos que remetem diretamente ao século XVIII.
Museus: a memória organizada da cidade
Os museus da capital funcionam como pontos de organização de toda essa memória. No Museu Histórico de Santa Catarina, o visitante encontra um panorama da formação política e institucional do Estado, com acervo que inclui móveis, obras de arte e documentos oficiais que remontam o século XVIII.
A Casa da Memória, localizada próximo à Catedral Metropolitana, complementa essa narrativa ao preservar registros do cotidiano urbano com fotografias, mapas e arquivos que ajudam a traçar uma linha pelas transformações da cidade. Já o Museu Victor Meirelles, em frente à Praça XV, insere Florianópolis no circuito da arte nacional, conectando história local e produção cultural brasileira.

Fortalezas: defesa e ocupação do território
A ocupação de Florianópolis também passou pela estratégia militar. No século XVIII, Portugal construiu um sistema de fortificações para proteger a Baía Norte, formando um conjunto que ainda hoje marca a paisagem da região. Mais do que estruturas militares, essas fortalezas se tornaram espaços de educação, integrando história, arquitetura e natureza.
A Fortaleza de São José da Ponta Grossa, na Praia do Forte, é uma das mais preservadas, reunindo muralhas, canhões e edificações internas que ajudam a compreender o funcionamento da defesa da Ilha. A fortificação de Ratones – e também de Anhatomirim, na cidade vizinha de Governador Celso Ramos – também integra esse sistema, que já passou por restaurações e é aberto à visitação.

Tradições que seguem vivas na Ilha
A cultura açoriana permanece como um dos pilares da identidade local. No Engenho dos Andrade de Santo Antônio de Lisboa, por exemplo, a produção artesanal de farinha de mandioca segue ativa, mantendo técnicas que remontam ao período colonial e que foram fundamentais para a subsistência das comunidades da Ilha.
Manifestações culturais como o boi de mamão, a renda de bilro e festas tradicionais reforçam esse elo entre passado e presente. São práticas que também resistem ao tempo como parte do cotidiano da população de Florianópolis, e seguem vivas especialmente em eventos comemorativos e espaços históricos da cidade.
Frente fria provoca temporais em SC nesta segunda-feira (23)
Defesa Civil alerta para risco moderado a pontualmente alto para alagamentos
As instabilidades voltam a atuar com mais intensidade sobre Santa Catarina nesta segunda-feira (23). Isso se deve à formação de um sistema de baixa pressão, que dá origem a uma frente fria e provoca temporais e chuva em todas as regiões do estado. Além disso, o fenômeno causa um aumento na intensidade dos ventos, que podem alcançar 60 km/h, especialmente no Litoral Sul, onde o mar fica agitado. Segundo a Defesa Civil de SC, o risco é moderado a pontualmente alto para alagamentos e queda de árvores.





