23 de julho de 2024
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Economia

Florianópolis fecha 2023 com inflação acima do índice nacional, mostra Udesc Esag

Índice local acumulou em 5,23%, com maior aumento nos transportes

Os preços dos produtos e serviços consumidos em Florianópolis subiram 0,29% em dezembro, desacelerando em relação à inflação registrada no mês anterior, de 0,37%. Mesmo com a queda nos combustíveis para automóveis, os preços ligados aos transportes pesaram no índice, principalmente por conta do aumento nas passagens aéreas. Seis dos nove grupos pesquisados tiveram aumento.

Os números são do Índice de Custo de Vida (ICV), calculado mensalmente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), com apoio da Fundação Esag (Fesag).

 

Inflação do ano

O índice local acumulado em 2023 ficou em 5,23%, o que deve ficar acima da inflação nacional medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que deve ter os números de dezembro anunciado nos próximos dias pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As projeções apontam que este deve ficar em torno de 4,5%, de acordo com o Banco Central. O IPCA acumulado até novembro está em 4,04%.

Entre os grupos pesquisados, o maior aumento acumulado em 2023 foi o dos transportes (8,1%), seguido dos artigos de residência (7,2%), educação (6,9%), habitação (6,4%) e saúde e cuidados pessoais (6%). Já a inflação dos alimentos ficou abaixo do índice geral, com 3,9%, assim como comunicação (4,6%) e despesas pessoais (3%). O grupo vestuário foi o único a ter queda nos preços (-6,6%).

 

Alimentação

O grupo Alimentos e Bebidas, que corresponde a mais de um quinto do orçamento das famílias, teve alta de 0,28% em novembro – uma desaceleração em relação a novembro, quando a inflação dos alimentos foi de 0,36%. A alta foi maior nos alimentos comprados em feiras e supermercados para consumo em casa (0,35%). Já as refeições consumidas em lanchonetes e restaurantes subiram menos (0,16%).

O grupo com maior aumento foi o dos cereais, leguminosas e oleaginosas (5,8%), com destaque para o arroz agulha (8,3%) e o feijão preto (3,8%). Também houve alta forte dos tubérculos, raízes e legumes (4,8%), com aumento de 13,4% no preço da batata inglesa. Hortaliças e verduras subiram 2,2%, com um aumento de 6,9% da couve-flor e 3,4% da beterraba.

Mesmo com aumento na maioria dos subgrupos pesquisados, alguns alimentos importantes no consumo das famílias ficaram mais baratos em dezembro. É o caso das carnes (-0,1%), que teve redução nos preços das costelas bovina (-2,1%) e suína (-3,3%), e dos pescados (-0,6%). A maior redução foi a do leite e derivados (-1,9%), com queda de -2,8% no leite longa-vida e de -3,3% no queijo prato.

 

Transportes e outros

Os preços ligados aos transportes (que tem um peso no orçamento das famílias quase igual ao da alimentação) voltaram a ficar mais caros em dezembro (0,40%). O índice desse grupo subiu mesmo com a redução nos preços dos combustíveis para automóveis (-0,74%). Foram as passagens aéreas que puxaram a alta (11,4%), depois de uma queda de -3,3% no mês anterior.

Além de alimentação e transportes, houve alta forte em dezembro nos preços dos artigos de residência (1%), puxados pelos eletrônicos (2,3%). Também subiram os itens de vestuário (0,15%) e despesas pessoais (1,2%). Já os preços ligados a saúde e cuidados pessoais ficaram mais baratos (-0,9%). Serviços de comunicação e preços relacionados à educação permaneceram praticamente estáveis.

 

Sobre o Índice de Custo de Vida

O ICV/Udesc Esag registra a variação dos preços de 297 produtos e serviços consumidos por famílias de Florianópolis com renda entre 1 e 40 salários-mínimos. Para o último boletim mensal, os dados foram coletados entre os dias 1º e 31 de dezembro. O índice é publicado regularmente desde 1968.

A metodologia é a mesma usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial para a meta de inflação nacional. Para o cálculo do ICV, a Udesc Esag conta com o apoio da Fundação Esag (Fesag) na atualização das ferramentas utilizadas.

 

Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Secom