5 de junho de 2026
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‘Golpista contumaz’: mulher presa em SC finge ser adolescente há 15 anos

Fotos: Reprodução
Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, foi indiciada por falsa identidade e estelionato e teve ter celular periciado pela investigação

Amanda Maria Souza de Oliveira, a mulher de 37 anos presa após se passar por uma adolescente de 12 anos para morar com uma família em Joinville, no Litoral Norte de Santa Catarina, foi indiciada pelos crimes de falsa identidade e estelionato. Ela está presa desde a última terça-feira (2) e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.

A investigação conduzida pela Polícia Civil (PCSC) foi finalizada e encaminhada ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que deve pedir novas diligências antes de oferecer denúncia à Justiça. No pedido de prisão preventiva, a 25ª Promotoria de Justiça sustentou que a medida é necessária pelo risco de Amanda continuar cometendo crimes. Segundo a investigação, ela aplicava o mesmo golpe há pelo menos 15 anos.

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O MPSC também argumentou que a vida itinerante da suspeita e a ausência de residência fixa podem indicar risco de fuga e dificuldade para a responsabilização penal. Amanda confessou à polícia que aplicou o mesmo golpe também nas cidades de Curitiba (PR) e Nova Iguaçu (RJ), além dos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará. Em Santa Catarina, as autoridades investigam o caso em Joinville e também em Florianópolis e Chapecó.

O inquérito da PCSC descreve Amanda como uma uma “golpista contumaz” pelo histórico de atuação em diferentes regiões do país, incluindo ainda Rio Grande do Sul e São Paulo. Segundo a investigação, o modus operandi era sempre o mesmo: a suspeita se aproximava de instituições religiosas ou famílias, sempre explorando narrativas de vulnerabilidade para conquistar confiança e obter vantagens materiais.

Além da prisão preventiva, o MPSC requereu a quebra de sigilo de dados do celular apreendido com a investigada, incluindo acesso a mensagens, registros telefônicos e conteúdo de aplicativos, inclusive bancários, por considerar que essas informações podem revelar a extensão das fraudes cometidas.

Segundo a defesa de Amanda, a Justiça autorizou na última quarta-feira (3) a realização de um exame psiquiátrico para avaliar as condições mentais da suspeita. O advogado Rafael Luiz Siewert afirma que aguarda o procedimento para só então manifestar-se sobre as conclusões do inquérito. O MPSC já havia pedido um exame de sanidade mental da mulher em novembro de 2024, quando ela procurou atendimento no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, mas não foi atendido.

Foto: Polícia Civil (PCSC)

Entenda o caso

Amanda Maria Souza de Oliveira foi presa na última terça-feira na casa da própria família com quem vivia desde fevereiro de 2025, no distrito de Pirabeiraba. De acordo com a PCSC, a mulher utilizava o nome falso de “Gabriele” e simulava ser uma criança de 12 anos com autismo. Para justificar a aparência física adulta, ela também alegava outras condições clínicas e histórico de abusos, argumentando que seus traços eram decorrentes da utilização forçada de hormônios durante a infância.

Durante cerca de 14 meses, Amanda simulou comportamento que incluía atitudes infantilizadas, como uso de mamadeira, chupeta e um cobertor de “ninar”. Ela se aproximou da família que a “adotou” por intermédio de um pastor de uma igreja local. A suspeita sensibilizou a família a acolhê-la relatando graves problemas de saúde e extrema dificuldade financeira.

De acordo com o delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelo caso, Amanda “conseguiu sequestrar emocionalmente a família” forjando crises de pânico à noite, voz afinada e simulação de carência para conseguir atenção. Ela também convenceu as vítimas a não a matricularem na escola, alegando que tinha um pai abusador que descobriria onde ela estava. O casal só procurou a polícia na semana passada, após parentes tomarem conhecimentos de um golpe muito semelhante no Rio de Janeiro.

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