16 de março de 2026
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Investigação revela redes organizadas para a realização de ‘Farras do Boi’ em SC

Foto: Polícia Civil (PCSC)
Grupos contavam com financiadores, transportadores, vendedores de bovinos e até advogados

Uma verdadeira rede criminosa organizada para a realização de “Farras do Boi” em Santa Catarina foi alvo de uma investigação da Polícia Civil (PCSC) ao longo de um ano. Quarenta homens envolvidos na cadeia logística dos eventos foram indiciados por crimes de maus-tratos a animais e associação criminosa.

As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Proteção Animal (DPA) a partir da identificação da prática criminosa em locais de difícil acesso no município de Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis. O uso de tecnologias de inteligência permitiu que a polícia chegasse à identidade dos organizadores, financiadores, transportadores e vendedores dos bovinos para as Farras.

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De acordo com a PCSC, a investigação revelou a existência de grupos organizados para a arrecadação de valores (as chamadas “vaquinhas”), destinados tanto à compra dos animais quanto ao pagamento de advogados e de multas administrativas aplicadas aos participantes abordados anteriormente. “Diferente das abordagens convencionais, que costumavam responsabilizar apenas quem era flagrado no momento do ato, a Polícia Civil estruturou a investigação para identificar toda a cadeia logística”, afirma a corporação em nota

Ao longo de mais de um ano, a investigação analisou imagens e realizou quebras de sigilo de dados telefônicos e telemáticos. Essas informações possibilitaram vincular 22 episódios diferentes de Farra do Boi, alguns sem registro formal prévio, e individualizar a conduta dos envolvidos. Algum nomes, inclusive, apareceram mais de uma vez em ocorrências distintas, como na articulação da compra e no transporte dos animais, o que para a PCSC representa uma associação criminosa com divisão de tarefas estruturada.

Imagem: PCSC

O inquérito foi enviado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que deve analisar se oferece denúncia ou solicita investigações complementares. As penas para o crime de maus-tratos, somadas às de associação criminosa, podem chegar a quatro anos de prisão, além de multas que variam entre R$ 10 mil para participantes e R$ 20 mil para organizadores de cada ocorrência.

A “Farra do Boi” é um evento antigamente praticado no litoral de Santa Catarina, em especial no período da quaresma, que consistia em soltar um bovino em um terreno ou rua e “farrear”, fazendo o animal correr atrás das pessoas que participam, levando o animal à exaustão. A prática é considerada ilegal no Brasil desde 1998.  “A Farra do Boi não é cultura, mas tortura, representando um retrocesso ético”, afirmou a PCSC na conclusão do inquérito.

           

             

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