23 de junho de 2024
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Cláudio Prisco

Mangas arregaçadas

14 de maio de 2024

A sociedade civil organizada está de parabéns. O brasileiro está dando uma demonstração de desprendimento, de comprometimento e de solidariedade, bem como de fraternidade aos nossos irmãos vizinhos do Rio Grande do Sul. É um espetáculo que enche o coração e alimenta a alma. Não há a menor dúvida.

Não é apenas o poder público, os governos estaduais, as prefeituras espalhadas por todo o território nacional, mas também as federações empresariais, as entidades representativas, tanto no contexto classista quanto no comunitário. É algo que engrandece o ser humano. Mas vai além. Chega às iniciativas familiares e individuais. Quantas pessoas se voluntariam?

Não vamos falar de São Paulo para cima, mas paulistas, paranaenses, catarinenses pegaram o seu carro, rebocaram os jet-skis, canoas e foram para o Rio Grande. Sem previsão de retorno. É algo que comove, que sensibiliza, que mostra bem o espírito do brasileiro.
Entretanto, não é o momento de responsabilizar quem quer que seja, porque a prioridade agora é socorrer o Rio Grande do Sul, os nossos vizinhos e irmãos. Mas não está dando para entender o comportamento do governo federal.

Nunca antes

Não há previsão ainda das águas baixarem, até porque as chuvas foram retomadas com frio, o que agrava a situação.
Mas estamos falando de 93 mil famílias que deixaram suas residências. Estamos falando de quase 400 mil gaúchos que estão abrigados em ginásios, em áreas que os recebem momentaneamente. É algo temporário. Infelizmente, não é possível dizer se até o final do mês as águas vão baixar.

Sem previsão

Se as casas foram destruídas – e já se fala em 40 mil – que precisariam ser recuperadas ou reconstruídas, portanto, metade das 93 mil famílias que deixaram os seus lares simplesmente não têm para onde ir.
Quanto tempo o Rio Grande do Sul, que é a quinta economia do país, vai precisar para se reerguer? Essa hecatombe vai produzir e provocar desdobramentos nacionais severos e prejuízos importantes.

Receita zerada

Esqueçamos, no entanto, o Brasil. Vamos ficar só no Rio Grande.
Vai despencar a arrecadação do estado vizinho. Haverá uma quebradeira de empresas, o que significa desemprego em massa.

Conversa mole

E não se vê nenhum movimento do governo central. Falaram ali em R$ 50 bilhões, mas são operações de crédito, portanto, empréstimos e ainda antecipação de recursos que o estado tem direito. Os gaúchos e o Brasil querem saber o que efetivamente a União vai fazer. Qual é o planejamento do governo?

Sem chance

Não dá mais para pensar que as prefeituras e o governo do estado vão encontrar soluções, considerando a concentração financeira da Federação em Brasília, onde estão mais de 60% dos recursos. O país tem 27 estados e mais de 5,5 mil municípios. Estes últimos, que é onde o cidadão efetivamente vive, recebem menos de 15% dos impostos.

Janela

É fundamental que o governo federal esteja aberto para negociar com prefeitos e com o governador Eduardo Leite uma solução, encaminhamentos concretos e objetivos. Estão esperando o quê? Trata-se de uma operação de guerra. E quantos homens foram enviados ao Rio Grande do Sul?

Asco

Já registramos aqui o contingente da Força Nacional de Segurança e das Forças Armadas. São pelo menos 400 mil homens na ativa. Quantos foram mandados para o Rio Grande? Fala-se entre quatro e cinco mil.

Brincadeira

O que é isso? Estamos falando de 1% do efetivo. Ora, eles são treinados, custam caro para o país. Num momento desses teriam que ser deslocados para ajudar a sociedade civil. Não só na recuperação, na reconstrução, mas para dar segurança ao gaúcho, para recuperar e ainda salvar vidas.

Sem palavras

A inércia, a estagnação federal é algo incompreensível. Não se quer aqui responsabilizar ninguém, mas urge que haja agilidade, competência, sensibilidade, que é o que está faltando ao governo federal.

Sangue quente

O quadro já está gerando indignação. Não apenas no gaúcho, desesperado, desapontado, indignado, angustiado, mas também em todos os brasileiros de bem. Nós hoje não temos governo, essa que é grande verdade.