10 de fevereiro de 2026
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Ministério Público pede exumação do corpo do cão Orelha para perícia

Orelha era um cão comunitário, cuidado espontaneamente por diversos moradores da Praia Brava, em Florianópolis, por cerca de 10 anos. Foto: Reprodução/Redes sociais
Pedido, que ainda será analisado pelo Judiciário, deve ajudar a aprofundar as investigações sobre o caso

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou nesta segunda-feira (9) a exumação do corpo do cão comunitário Orelha, morto em Florianópolis em janeiro, para a realização de uma perícia direta. O pedido ainda deve ser analisado e deferido ou negado pelo Poder Judiciário.

A 10ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pela investigação sobre os maus-tratos que resultaram na morte do animal, solicitou ainda outras diligências complementares para aprofundar as investigações da Polícia Civil (PCSC), concluídas na terça-feira passada (3). Entre os pedidos estão também a juntada de vídeos que tratam de atos infracionais cometidos pelos adolescentes suspeitos na Praia Brava, além de registros envolvendo os cães.

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O cão comunitário Orelha morreu no dia 5 de janeiro, enquanto recebia atendimento médico-veterinário, um dia após a data estimada pela PCSC em que as agressões teriam ocorrido. O profissional que realizou o atendimento afirmou que ele estava quase inconsciente e mal conseguia se manter em pé. Em depoimento à investigação, ele descreveu que “as lesões eram compatíveis com ação de instrumento contundente, como barra de ferro ou pedaço de madeira, e não apresentavam perfurações ou cortes”.

À PCSC, o veterinário disse mais de uma vez que “a única região lesionada era a cabeça, sem qualquer outra marca pelo restante do corpo do animal”, o que descartaria a hipótese de atropelamento. O relatório do atendimento ao cão foi obtido pela Polícia Científica e anexado junto a outros materiais de interesse da investigação. Após a morte, Orelha foi enterrado no Norte da Ilha e não teve o corpo novamente analisado.

Imagem: Polícia Civil/Divulgação

Investigação sobre coação e ameaça

Ainda nesta segunda-feira (9), a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pelo procedimento que apura os crimes de coação no curso do processo e ameaça supostamente praticados por dois pais e um tio dos adolescentes suspeitos, também solicitou diligências complementares. A medida foi adotada após a análise do inquérito policial instaurado em paralelo às apurações dos casos de maus-tratos a cães na Praia Brava.

A 2ª PJ destacou a importância de esclarecimentos específicos para apurar a discussão que ocorreu entre pai e tio do adolescente suspeito dos maus-tratos que resultaram na morte de Orelha, e o pai de outro adolescente suspeito, na portaria de um condomínio. Na ocasião, segundo a investigação, os suspeitos agiram de forma intimidadora contra o trabalhador.

Para isso, foram solicitados à PCSC novos depoimentos presenciais do porteiro do condomínio e de um vigilante, no prazo de 20 dias. Novas imagens de monitoramento que registraram a discussão também devem ser anexadas ao inquérito. Na manifestação, promotora também ressaltou que o caso ainda se encontra em fase investigatória, sem o ajuizamento de ação penal.

A promotora Letícia Baumgarten Filomeno também se manifestou favorável ao pedido da defesa dos investigados de reestabelecer o sigilo sobre a apuração dos crimes de coação no curso do processo e ameaça. Os advogados justificam o pedido pelo envolvimento indireto dos menores de idade nos fatos deste procedimento e também no que apura os maus-tratos – que já ocorre em sigilo –, além da intensa exposição midiática e potencial dano à intimidade dos adolescentes. A decisão vai de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a divulgação de informações pessoais de menores de 18 anos.

           

             

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