2 de fevereiro de 2026
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Paulo Chagas

Mobilização regional tenta consolidar voos da Serra Catarinense

Histórico de oscilações na demanda aérea acende alerta e impulsiona reação do setor produtivo para evitar perda estratégica de conectividade. A Gol iniciou as operações no dia 27 de novembro de 2025.  / Foto: Paulo Chagas

A Serra Catarinense conhece bem o peso de conquistar, e perder conexões aéreas. Não é a primeira vez que a região celebra a ampliação de voos e, ao mesmo tempo, convive com o temor de que a baixa ocupação comprometa a continuidade das operações. A retomada do serviço da Gol Linhas Aéreas, iniciada em 27 de novembro de 2025 com três voos diários entre o Aeroporto Regional da Serra Catarinense, em Correia Pinto, e São Paulo, representa um avanço logístico e econômico inegável. Porém, o cenário exige mais do que comemoração: exige engajamento.

Mudança de cultura

A experiência histórica mostra que a sustentabilidade das rotas aéreas regionais depende menos da existência da estrutura e mais da cultura de utilização do serviço. E é justamente nesse ponto que lideranças empresariais começam a agir, antecipando um problema que já se repetiu em outras ocasiões: a queda sazonal na procura por passagens, fator decisivo para a interrupção de operações anteriores. A taxa média de ocupação atual, na casa dos 60%, ainda está distante do índice considerado ideal para garantir viabilidade econômica no médio e longo prazo. O dado, por si só, não representa crise, mas funciona como sinal de alerta. E, ao que tudo indica, o setor produtivo decidiu não esperar que o problema se agrave para reagir.

Em Vacaria (RS)

A mobilização regional ganha força com o encontro marcado para esta quarta-feira (4), durante o Rodeio Internacional de Vacaria, reunindo lideranças empresariais e institucionais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Mais do que um evento pontual, a reunião simboliza uma tentativa clara de transformar o aeroporto da Serra Catarinense em um verdadeiro hub regional, conectando cadeias produtivas e aproximando mercados.

Iniciativa

A iniciativa liderada por entidades como Banco da Família, Mercado Martendal e CDL Lages, com apoio de instituições empresariais e educacionais, demonstra compreensão de que a conectividade aérea deixou de ser luxo e passou a ser ferramenta estratégica de desenvolvimento. Em um ambiente econômico cada vez mais competitivo, tempo representa custo, oportunidade e capacidade de expansão de negócios. A rota beneficia diretamente setores que sustentam a economia serrana, como agronegócio, turismo, comércio e serviços. Além disso, fortalece a integração econômica com municípios gaúchos, especialmente Vacaria, reduzindo a dependência logística de aeroportos maiores, como Florianópolis, Porto Alegre e Caxias do Sul.

Mais adesão regional

O desafio, no entanto, vai além das lideranças empresariais. A permanência da operação aérea depende, essencialmente, da adesão regional. Empresários, profissionais, turistas e até o poder público precisam compreender que utilizar o aeroporto local não é apenas uma escolha de conveniência, mas uma decisão estratégica coletiva. Se a Serra Catarinense deseja consolidar sua posição no mapa econômico nacional, a conectividade aérea precisa deixar de ser vista como alternativa e passar a ser tratada como infraestrutura essencial. A mobilização que começa a se formar pode representar justamente essa mudança de mentalidade. Caso contrário, a região corre o risco de, mais uma vez, assistir à decolagem de uma oportunidade que talvez demore anos para voltar a pousar por aqui.