Etíope foi recrutada no exterior e trazida ao Brasil; caso envolve suspeita de servidão por dívida, isolamento e violência psicológica
Uma trabalhadora doméstica etíope de 34 anos foi resgatada de uma situação análoga à escravidão em um condomínio fechado no bairro Rio Tavares, em Florianópolis, após fugir da residência onde, segundo autoridades, era submetida a jornadas exaustivas de até 15 horas diárias, violência psicológica, retenção de documentos e restrição de liberdade. O caso foi divulgado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nesta quinta-feira (21), e está sendo investigado como possível crime previsto na legislação brasileira e em tratados internacionais de direitos humanos.
De acordo com auditores-fiscais, a mulher relatou trabalhar diariamente das 7h às 22h30, inclusive aos finais de semana, acumulando funções de limpeza, organização da casa, preparo de alimentos, cuidados com os filhos do casal empregador e atenção aos animais de estimação. Ela afirmou ainda que sofria ameaças, insultos, gritos e intimidações constantes, especialmente por parte da empregadora, além de episódios em que objetos teriam sido arremessados em sua direção e tentativas de agressão física.
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Supostas dívidas
A fiscalização aponta que a trabalhadora foi recrutada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, por meio da empresa estrangeira Maids Domestic Workers Services L.L.C., e posteriormente trazida ao Brasil por um casal formado por um homem brasileiro e uma mulher árabe, sem visto de trabalho regular. Segundo o relato prestado às autoridades, os empregadores retinham seu passaporte e demais documentos pessoais, condicionando a devolução ao pagamento de supostas dívidas relacionadas a passagens aéreas, alimentação e custos de visto.
A situação, conforme a Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, se enquadra em indícios de trabalho análogo à escravidão, especialmente pela combinação de jornada exaustiva, servidão por dívida, isolamento e retenção de documentos. O órgão informou ainda que foram solicitadas diligências para recuperação de pertences da vítima e abertura de inquérito policial para apuração de possíveis crimes previstos no Código Penal e na Lei de Migração.
Usou de Google Tradutor durante a fuga
A fuga ocorreu durante a noite. A trabalhadora deixou a residência apenas com as roupas do corpo e um celular, sem documentos. Sem falar português, ela percorreu ruas da região até conseguir pedir ajuda utilizando aplicativos de tradução no próprio aparelho. Inicialmente acolhida por agentes da rede pública, o atendimento envolveu equipes de assistência social, saúde e segurança.
O caso mobilizou o Espaço Acolher e o Escritório de Atenção ao Migrante, além de auditores-fiscais do trabalho e intérprete intercultural. Em depoimento, a vítima afirmou que desejava encerrar imediatamente o vínculo laboral devido às violências sofridas e à privação de liberdade.

Recebeu mensagens de ameaças e acusações após fuga
Mesmo após a fuga, segundo os profissionais que acompanham o caso, a trabalhadora continuou recebendo mensagens com ameaças e acusações, incluindo a alegação de furto de um animal da família empregadora. As autoridades destacam que ela não possuía rede de apoio no Brasil e demonstrava forte abalo emocional durante o acolhimento.
A SIT informou ainda que episódios semelhantes foram registrados no mesmo período em outras cidades catarinenses. Em Benedito Novo, no Vale do Itajaí, outra mulher também foi resgatada em condições análogas à escravidão.
Diante da gravidade dos fatos, os auditores-fiscais solicitaram medidas urgentes para localização de documentos, responsabilização dos envolvidos e aprofundamento das investigações. O caso segue sob análise das autoridades competentes.
Denuncie
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, do Secretaria de Inspeção do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho, disponível para receber informações sobre violações trabalhistas em todo o país.
Vice-prefeito de Lages sofre grave acidente durante fuga do GAECO
Jair Júnior bateu BMW de frente contra uma carreta, teve o carro tomado pelas chamas e foi retirado do veículo por agentes do GAECO na Serra Catarinense
O vice-prefeito de Lages, Jair Júnior, ficou gravemente ferido após se envolver em um acidente na noite desta quinta-feira (21), na BR-116, na Serra Catarinense. O carro em que estava conduzindo bateu frontalmente com uma carreta no km 247 da rodovia, no bairro São Sebastião. Segundo informações preliminares, o político teria tentado fugir do cumprimento de um mandado de prisão no momento em que ocorreu a colisão. Após o impacto, ele foi socorrido com fraturas nas pernas e encaminhado ao hospital. A presença de agentes do GAECO no local chamou a atenção durante o atendimento da ocorrência. Até o momento, o estado de saúde é considerado estável.





