Vítima de 28 anos perdeu a mobilidade do lado esquerdo do corpo
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) investigam as circunstâncias em que Júlia Rimoli Bossoni, de 28 anos, sofreu um grave problema neurológico após andar na montanha-russa Montezum, no parque Hopi Hari, em Vinhedo (SP), no dia 20 de abril de 2026. A jovem perdeu parte do crânio e não possui mobilidade do lado esquerdo do corpo. Segundo o boletim de ocorrência, ela estava acompanhada do marido, quando teria apresentado uma convulsão durante o percurso do brinquedo.
O registro policial informa que o episódio ocorreu por volta das 16h30. Em depoimento, o companheiro relatou que o equipamento apresentava fortes impactos e solavancos. No entanto, no momento do registro inicial, ele afirmou não saber se Júlia havia batido a cabeça durante o trajeto.
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Após o passeio, a mulher foi socorrida e encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo. De acordo com o boletim, posteriormente ela foi diagnosticada com um acidente vascular cerebral (AVC) e permaneceu internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Naquele momento, ainda não havia uma conclusão definitiva sobre a causa do problema neurológico. Os médicos teriam descartado uma malformação arteriovenosa e considerado a possibilidade de um trauma relacionado ao episódio na atração.
Investigação passou a apurar possível lesão corporal
O boletim foi inicialmente registrado como ocorrência não criminal, com autoria desconhecida. O próprio documento aponta que, caso os exames identificassem eventual imperícia ou imprudência relacionada ao parque, a classificação poderia ser alterada para lesão corporal culposa ou outro delito.
Ao longo da investigação, o caso passou a ser tratado como procedimento investigatório preliminar para apurar uma possível lesão corporal culposa. Em manifestação encaminhada ao Judiciário, o Ministério Público registrou que, segundo os elementos reunidos até então, Júlia teria sofrido um grave traumatismo craniano durante o percurso do Montezum.
O documento também registra que, conforme o relato do marido, Júlia começou a convulsionar ainda dentro do brinquedo. O Ministério Público mencionou ainda a ocorrência de hematoma subdural e a necessidade de procedimentos neurocirúrgicos de urgência.
Apesar disso, a documentação não apresenta, até o momento, uma conclusão definitiva sobre a causa do trauma ou sobre eventual responsabilidade do parque.
Polícia pediu imagens do brinquedo
Para esclarecer o que aconteceu durante o percurso, a Polícia Civil solicitou ao Hopi Hari imagens das câmeras de segurança da atração entre 16h30 e 17h30 do dia 20 de abril. O pedido também incluiu outras câmeras que pudessem ter registrado o momento do ocorrido e o atendimento médico prestado à vítima.
Em seguida, o MP apontou a necessidade de esclarecer a informação apresentada pelo parque sobre a inexistência de imagens do trajeto da montanha-russa. A questão ganhou relevância porque há um sistema de captura de fotografias dos passageiros durante o percurso.
A defesa de Júlia pediu que a Polícia Civil faça uma verificação diretamente na atração para identificar os equipamentos de captação de imagens, a localização, o trecho registrado e a forma de armazenamento dos arquivos. O pedido também inclui a verificação sobre a possibilidade de o equipamento utilizado para fotografar os passageiros produzir apenas fotografias ou também outros registros audiovisuais.
A investigação busca esclarecer principalmente o que ocorreu dentro do Montezum e se houve relação entre o percurso da atração e o trauma sofrido por Júlia. Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão a existência de um eventual impacto na cabeça, o momento em que o trauma teria ocorrido e se houve alguma falha relacionada ao funcionamento ou à segurança do brinquedo.
Até o momento, os documentos analisados não estabelecem que o parque tenha causado o trauma nem apontam, de forma definitiva, uma responsabilidade criminal do estabelecimento. O Ministério Público solicitou novas diligências antes de uma conclusão sobre o caso.
Estado de saúde da Júlia
De acordo com a mãe de Júlia, após o ocorrido ela ficou 18 dias intubada e cerca de 60 dias internada na UTI, em Vinhedo.
Ainda conforme a genitora, a vítima precisou passar por cirurgias no cérebro, nas quais foi necessária a retirada de uma parte do crânio e a implantação de uma válvula de derivação ventriculoperitoneal (DVP). Infelizmente, essa válvula não cicatrizou adequadamente, apresentando um risco iminente de infecção.
Atualmente, Júlia permanece com uma parte do crânio ausente, formando um vácuo que está deslocando o cérebro em aproximadamente 1,5 cm. Ela não possui mobilidade do lado esquerdo do corpo e enfrenta diariamente uma intensa jornada de reabilitação.
O que diz o Hopi Hari?
“A Montezum possui certificação internacional emitida pelo Grupo TUV Nord uma das maiores organizações de inspeção e testes de atrações do mundo.
Uma auditoria independente Holandesa que emite selos de segurança e qualidade para garantir que produtos, processos e empresas sigam normas e legislações internacionais.A atração passa por inspeções periódicas, além de rotinas diárias de manutenção e segurança. O Hopi Hari segue rigorosamente a norma ABNT NBR 15926-2023 e adota protocolos de segurança, treinamento e orientação aos visitantes, com recomendações e restrições informadas por sinalização visual, avisos sonoros e orientações antes do embarque.
Em 2026, aproximadamente 470 mil pessoas já passaram pela atração.Recentemente, o Ministério Público emitiu parecer destacando a regularidade do funcionamento da Montezum e apontando não haver risco coletivo, defeito no projeto da atração ou negligência, além de reconhecer a adoção de protocolos rigorosos de prevenção, manutenção e segurança operacional.
Em relação à visitante do Paraná, o Hopi Hari esclarece que ela utilizou a atração duas vezes no mesmo dia e que o episódio ocorreu durante a segunda passagem, quando apresentou um quadro de convulsão e recebeu atendimento imediato das equipes do parque, sendo posteriormente encaminhada à Santa Casa de Vinhedo.
A direção e o departamento jurídico do Hopi Hari mantiveram contato com os familiares e prestaram o suporte necessário durante o atendimento, permanecendo à disposição da família.
Nos últimos cinco anos, o parque recebeu mais de 5,5 milhões de visitantes e segue investindo continuamente em segurança, manutenção, procedimentos e treinamento. As ocorrências mencionadas de anos anteriores pertencem a gestões passadas, e a atual administração reforça seu compromisso com a cultura de segurança implementada nos últimos cinco anos”.
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