13 de junho de 2024
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Paulo Chagas

Municípios de Santa Catarina adotam cidades gaúchas assoladas pelas enchentes

A iniciativa também deverá se estender para outros estados, além dos municípios catarinenses. Osasco (SP), adotou Estrela, junto com Blumenau /  Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini.

A iniciativa é altamente positiva, e visa auxiliar na recuperação dos estragos causados pela enchente histórica que atinge grande parte do Rio Grande do Sul. Municípios catarinenses, cada vez em maior número estão disponibilizando parte de estrutura para atender os municípios assolados, no estado vizinho. Jaraguá do Sul, por exemplo, escolheu a cidade de Roca Sales, no Vale do Taquari. Servidores, caminhões e maquinários já estão em deslocamento. O trabalho dos catarinenses se dará na recuperação de acessos, remoção das barreiras de terras que surgiram com os deslizamentos. Também deverão atuar nos perímetros urbanos na remoção de entulhos e liberar as passagens, para facilitar a limpeza. O processo de adoção tem amparo da lei, inclusive, com sustentação positiva de parte das Câmaras de Vereadores e do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE). Além de Jaraguá que adotou Roca Sales, estão Chapecó (Arroio do Meio), Pomerode (Cruzeiro do Sul), Blumenau (Estrela), Araquari (Marques de Souza), Timbó (Rolante), Joinville (Lajeado e Estrela), Rancho Queimado (Gravataí), Apiúna (Guaíba), Cunhataí (Travesseiro), Santa Cecília (Arroio do Meio) e Rio do Sul (Muçum). O número tende a aumentar.

Falta de auditores fiscais sinaliza iminente crise nas exportações e exportações

O quadro tende a se agravar em caso de deflagração de greve dos auditores fiscais / Foto: Assessoria de Imprensa da Facisc

A alerta é da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), a partir de um levantamento da entidade, que mostra uma realidade que precisa ser considerada, uma vez que Santa Catarina tem a maior quantidade de cargas de origem animal fiscalizadas. Portanto, a situação é vista como risco para comércio exterior. A questão está sendo analisada com enorme preocupação. Segundo informações, há quase 100 dias, o despacho de exportações e importações de alimentos e de bebidas no Brasil vem dando sinais de calamidade. Empresas dos mais diversos segmentos, que atuam diretamente com comércio exterior e auditores agropecuários são afetados. Há cargas para importação e exportação paradas em portos, aeroportos e postos de fronteira de todo o país.

Situação em números

No primeiro quadrimestre do ano, cada auditor catarinense (são 15 no total em SC) inspecionou 241,9 mil toneladas de produtos de origem animal destinados à exportação. Ao todo, foram 1,2 milhões de toneladas exportadas em produtos de origem animal, que representam US$ 2 bilhões – 29% da quantidade de produtos de origem animal exportada em todo o país no período. Quando analisadas as exportações e as importações de produtos de origem animal, Santa Catarina fica em segundo lugar no ranking nacional (254,2 mil toneladas), atrás apenas do Paraná (305,1 mil toneladas).

Indicativo de greve dos auditores

Auditores Fiscais Federais Agropecuários (AFFAs) aprovaram um indicativo de greve nas atividades, no último dia 8 de maio. É um aviso para o Governo Federal de que, se não houver espaço de negociação, a categoria entrará em greve. Desde o final de janeiro, parte desses auditores já estão trabalhando sob operação-padrão (quando os auditores passam a realizar apenas o trabalho previsto nos seus contratos), mas devido à alta demanda de fiscalização e inspeção, de acordo com o sindicato, muitos continuam fazendo horas extras e trabalhando aos finais de semana e feriados. O sindicato diz que a proposta inicial do Governo não atende aos requisitos mínimos solicitados pela categoria, principalmente em relação à recomposição salarial e à qualidade de trabalho dos auditores agropecuários. Como nova tentativa de negociação, os auditores irão entregar nos próximos dias uma segunda contraproposta de restruturação da carreira ao MGI. Caso não haja entendimento, diante dos fatos, Santa Catarina está na iminência de uma possível piora da já complexa situação das importações e importações do agronegócio, ampliando a já deficiente falta de efetivo nos frigoríficos, devido à sobrecarga do recebendo os animais do Rio Grande do Sul, diante do estado de calamidade pública enfrentado nas últimas semanas.