27 de maio de 2026
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Flávio Jr

“Nação Hip Hop: Cultura de Rua” leva memória, resistência e rap para as telas

Imagem: Divulgação.

Antes mesmo de qualquer fala, “Nação Hip Hop: Cultura de Rua” já emociona pela imagem que escolhe para abrir sua narrativa. No silêncio atento do Teatro do Centro Integrado de Cultura, o jornalista e ativista Ed Soul atravessa o vão central do espaço enquanto centenas de pessoas acompanham cada passo. Não é apenas a entrada de um personagem. É a entrada de uma história inteira que durante décadas resistiu longe dos grandes palcos.

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Dirigido pela jovem cineasta e artista plástica Laia Orisa, o documentário está com a pré-estreia marcada para o dia 2 de julho, na Sala de Cinema Gilberto Gerlach, no CIC em Florianópolis. E talvez exista algo profundamente simbólico nisso: depois de conquistar festivais internacionais, o documentário retorna ao mesmo território onde essa história começou devolvendo à cidade uma memória que também lhe pertence. A obra transforma memória em manifesto e faz do audiovisual uma ponte entre passado, arte e identidade periférica. Com apenas 15 minutos de duração, o curta consegue reunir emoção, denúncia social e resgate histórico ao revisitar a trajetória do programa “Nação Hip Hop”, considerado o primeiro programa independente de televisão aberta dedicado à cultura hip hop no Brasil.

Imagem: Divulgação.

O curta já percorre o circuito internacional de festivais. Selecionado para dez mostras no Brasil, Itália, Portugal, Estados Unidos e Colômbia, o filme venceu o prêmio de Melhor Montagem no Festival Curta Noite!, no Rio de Janeiro, consolidando o reconhecimento de uma produção nascida a partir das margens, mas com alcance universal. Produzido em Florianópolis no início dos anos 2000, o programa foi exibido pela TV Cultura de Santa Catarina e posteriormente pela TVBV, alcançando mais de cinco milhões de espectadores em um período em que a cultura periférica ainda lutava para ocupar espaço na mídia tradicional. O documentário revisita esse legado com delicadeza e potência, costurando arquivos raros, depoimentos históricos e imagens carregadas de simbolismo.

Em cena, vozes fundamentais do movimento hip hop catarinense ajudam a reconstruir essa memória coletiva. Além de Ed Soul e do rapper MV Bill, participam nomes como Jupira Dias, Marcos Antonio Batista, Paulo Cézar Júnior, Carlos Pereira e Marcelo Corcel. Cada depoimento amplia a dimensão do filme, revelando como o hip hop em Santa Catarina foi, e continua sendo, ferramenta de resistência, acolhimento e transformação social. O documentário também ganha força ao incorporar participações especiais de ícones da cultura brasileira, como Cacá Diegues, Chorão, Douglas Silva e Racionais MC’s. “Nação Hip Hop: Cultura de Rua” resgata uma geração inteira que encontrou no rap, no break, no graffiti e na cultura urbana formas de existir em uma sociedade marcada pela exclusão.

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