28 de janeiro de 2026
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Flávio Jr

O acaso que deu nome à Praia dos Ingleses

Imagem: Allan Carvalho / PMF.

Entre dunas móveis e o rumor constante do Atlântico, que hoje ameaça a faixa alargada de areia com marés altas, a Praia dos Ingleses guarda um nome que nasceu do acaso e da travessia. Muito antes de se tornar um dos bairros mais populosos e visitados do norte da Ilha de Santa Catarina, aquele trecho de areia foi cenário de um encontro improvável entre o litoral sul-brasileiro e corajosos navegadores.

A origem do nome remonta a um naufrágio ocorrido provavelmente entre 1683 e 1737. Um navio inglês, surpreendido pelas condições da costa, encalhou nas proximidades do atual canto direito da praia. Séculos depois, em 1989, o mar devolveu pistas desse episódio: restos da embarcação e instrumentos de navegação, como uma régua de Gunther datada de 1683, evidência clara da origem britânica do navio, foram encontrados no fundo do mar.

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Os sobreviventes do naufrágio não seguiram viagem. Ficaram. À margem do oceano que os trouxe até ali por acidente, estabeleceram-se na terra, lançaram raízes, cultivaram o solo e passaram a viver dos recursos locais. Para os habitantes da ilha, aqueles estrangeiros eram simplesmente “os ingleses”. A referência cotidiana acabou nomeando o lugar, primeiro de forma oral, depois definitiva, a Praia dos Ingleses.

Canto Sul da Praia do Ingleses onde o naufrágio foi encontrado. Imagem: Allan Carvalho / PMF.

Contudo ainda existem versões menos aceitas, que atribuem a denominação à atuação de companhias inglesas de caça à baleia na região ou a vínculos dos tripulantes com a Coroa Britânica. Na verdade, são teorias que orbitam a história principal, mas não conseguem ter o mesmo peso das evidências arqueológicas encontradas. Hoje, a Praia dos Ingleses é sinônimo de movimento, turismo e diversidade. Mas sob o som das ondas e o ritmo urbano, permanece a memória de um tempo em que o destino de um navio e a decisão de alguns homens estrangeiros deram nome a uma paisagem. Um nome que carrega, até hoje, a marca do mar, da sobrevivência e da mistura de mundos.

           

             

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