9 de janeiro de 2026
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Flávio Jr

“O dia em que a Ilha de Santa Catarina mudou de língua”

Vila de Desterro. Gravura Gaspar Duche de Vancy [1756-1788].

E se a Ilha de Santa Catarina tivesse sido espanhola? Qual sotaque ecoaria entre os morros, como nossas praias seriam chamadas e o que seria da nossa identidade? Há 249 anos, essas perguntas quase deixaram de ser imaginação. Por anos Portugal fortificou a Ilha, mas em fevereiro de 1777, uma força desproporcional dobrou os joelhos de nossos colonizadores. Nossas fortalezas de nada serviram par impedir a invasão espanhola e tudo ocorreu sem o estrondo da pólvora, sem o clarão dos canhões, sem um único tiro disparado.

A esquadra espanhola, a maior que já cruzara o Atlântico com mais de uma centena de navios de guerra partiudo porto de Cádiz em novembro de 1776 e aportou na praia de Canavieiras. Ela trouxe cerca de 920 canhões, quase o dobro do poder de fogo disponível aos lusos no Brasil. Portugal até contava com um aliado inglês para defender a ilha pelo mar, o almirante Robert MacDouall. Mas o inglês tinha apenas doze naus e 462 canhões e fugiu para Porto Belo, seguindo posteriormente para o Rio de Janeiro. A defesa dissolveu-se antes do confronto e por terra a Ilha foi tomada e menos de uma semana, assim a Ilha foi declarada posse do rei da Espanha. As fortalezas, imponentes e erguidas para resistir, assistiram ao abandono, com os portugueses, em silêncio, deixando a Vila de Desterro para buscar abrigo no continente.

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Gravura da Ilha de Santa Catarina 1740. Fonte: Fundação Badesc.

Como uma tempestade a ocupação foi impactante, mas temporária e a Ilha voltou ao domínio português através de um tratado entre os dois reinos pouco mais de uma ano depois. Nosso pedacinho de terra mudou de dono sem mudar de paisagem, como se a história tivesse passado em silêncio pelas praias. Ainda assim, fica a pergunta que se tudo tivesse sido diferente? E se o espanhol tivesse ficado? Talvez hoje chamássemos esta ilha por outro nome. Talvez outra memória, outra identidade, outro futuro. Afinal, às vezes, a história não precisa de tiros para mudar o rumo, basta a ausência deles ou apenas uma narrativa.

           

             

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