29 de janeiro de 2026
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Paulo Chagas

O julgamento de Jorge Seif e a política sendo redesenhada nos tribunais

Senador foi processado por coligação encabeçada pelo PSD / Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

No próximo dia 5 de fevereiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retoma o julgamento que pode cassar o mandato do senador Jorge Seif Júnior (PL), acusado de abuso de poder econômico nas eleições. O vice-procurador-geral eleitoral já se manifestou pela cassação não apenas de Seif, mas de toda a chapa, e agora o relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, apresentará seu voto. O caso é emblemático porque não se trata apenas de um mandato individual: está em jogo a própria representação de Santa Catarina no Senado. E, mais do que isso, expõe uma questão que deveria incomodar a todos: até que ponto a Justiça Eleitoral, ao intervir meses ou anos após o pleito, não acaba por reconfigurar a vontade popular?

Colombo à espreita

Nesse tabuleiro, surge o nome do ex-governador Raimundo Colombo, que pode reassumir protagonismo político sem sequer ter passado pelas urnas. Se Seif for cassado, Colombo assume a vaga de imediato até uma nova eleição. Existe ainda a hipótese, embora improvável, de que ele permaneça no cargo até 2030. Ou seja, um retorno à cena nacional não pela escolha direta do eleitor, mas por decisão judicial. Esse detalhe é crucial: a política brasileira, cada vez mais, tem sido redesenhada nos tribunais, e não nas urnas.

O paradoxo democrático

É evidente que o Judiciário deve agir quando há indícios de irregularidades. A lisura do processo eleitoral é condição básica para a democracia. Mas há um paradoxo: o eleitor vota, e meses depois descobre que sua escolha pode ser anulada. Isso gera insegurança e alimenta a percepção de que o voto não é soberano, mas sujeito a revisões intermináveis. No caso de Santa Catarina, a eventual cassação de Seif não apenas altera a composição do Senado, mas reacende o debate sobre o papel da Justiça Eleitoral como agente político. Afinal, quando decisões judiciais mudam o resultado das urnas, estamos diante de um sistema que, em nome da legalidade, pode acabar fragilizando a confiança na própria democracia.

O que está em jogo

Mais do que o destino de Jorge Seif ou a volta de Raimundo Colombo, o julgamento do TSE coloca em pauta uma questão maior: quem decide o futuro político do país, o eleitor ou os tribunais? Enfim, enquanto não se resolve esse dilema, a política brasileira seguirá convivendo com um paradoxo desconfortável: eleições que não terminam no dia da votação, mas continuam sendo disputadas nos corredores da Justiça.