Operação que cumpre mandados em 11 estados brasileiros, teve início em troca de informações entre Estados Unidos e Ministério da Justiça e Segurança Pública
Na manhã desta quinta-feira (12), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público (MPSC) cumpriu um mandado de busca e apreensão em Palhoça, na Grande Florianópolis, em apoio à operação “Shadowgun”. A ação faz parte de uma investigação que apura a produção e a comercialização ilegal de armas de fogo e acessórios de alto poder destrutivo, fabricadas com impressoras 3D. Esse tipo de arma é conhecida internacionalmente como “ghost guns”, em tradução “armas fantasmas”.
A investigação é conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCRJ). Ao todo ação desta quinta-feira (12), cumpriu 36 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão, tendo como alvo 30 suspeitos em 12 estados brasileiros.
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Cooperação internacional deu origem à investigação
Segundo os investigadores, a apuração teve início a partir da troca de informações com Homeland Security Investigations (HSI), agência federal dos Estados Unidos, e com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
As investigações apontam para a atuação de uma organização criminosa considerada sofisticada, especializada na fabricação e comercialização ilegal de armas e acessórios produzidos com tecnologia de impressão 3D. O grupo também é suspeito de realizar lavagem de dinheiro por meio de ativos virtuais com foco em privacidade.
Esquema financeiro
Ainda durante as investigações, os agentes identificaram um esquema financeiro utilizado para ocultar a origem e o destino do dinheiro obtido com a venda dos kits de armamentos. De acordo com os investigadores, os produtos eram anunciados em plataformas de comércio eletrônico e enviados pelos correios para compradores em diferentes estados.
O grupo recorria a empresas de fachada, criadas apenas para dar aparência de legalidade aos trâmites, e utilizava criptomoedas com foco em privacidade, que dificultavam o rastreamento das operações. Esse esquema permitia receber doações e pagamentos de forma mais sigilosa, o que, segundo as autoridades, pode caracterizar lavagem de dinheiro.
Engenheiro e líder do grupo é preso
De acordo com a polícia, o líder do grupo, identificado como Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido como Zé Carioca, é um engenheiro especializado em controle e automação, responsável pelo desenvolvimento técnico das armas. Ele foi preso durante as investigações nesta quinta-feira (12), no interior de São Paulo. Na internet, ele usava nome falso para compartilhar resultados de testes balísticos, atualizações nos projetos e instruções sobre calibração, materiais e montagem dos armamentos.
O suspeito também teria produzido um manual de mais de 100 páginas, detalhando passo a passo todo o processo de fabricação. O material permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D conseguissem produzir as peças em poucas semanas, com material de fácil acesso e baixo custo.
A investigação segue sob sigilo.
O mandado foi solicitado pela Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio de Janeiro. Além das investigações em Santa Catarina, também foram cumpridas ordens judiciais em outros estados.
O GAECO é uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina e integrada por órgãos como a Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar. O grupo atua na identificação, prevenção e repressão a organizações criminosas no estado.
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